Após o ano “estranho e contraditório”, Marcelo diz que 2018 tem de ser de “reinvenção”

"O passado – bem recente – serve para apelar a que, no que falhou em 2017, se demonstre o mesmo empenho revelado no que nele conheceu êxito. Exigindo a coragem de reinventarmos o futuro. O ano que ora começa tem de ser, pois, o ano dessa reinvenção", afirmou o Presidente da República, na mensagem Ano Novo.

Cristina Bernardo

“Estranho e contraditório ano esse, que ontem terminou, e exigiu tudo de todos nós”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa, na mensagem de Ano Novo ao país. “Estranho e contraditório ano no mundo, com tão veementes proclamações de paz e abertura económica, e tão preocupantes ameaças de tensão e protecionismo, pondo à prova a paciência e a sensatez de muitos, e, em particular, do Secretário-Geral António Guterres”.

“O passado – bem recente – serve para apelar a que, no que falhou em 2017, se demonstre o mesmo empenho revelado no que nele conheceu êxito. Exigindo a coragem de reinventarmos o futuro. O ano que ora começa tem de ser, pois, o ano dessa reinvenção”, acresentou o Presidente.

Marcelo Rebelo de Sousa explicou que o ano foi estranho e contraditório ano na Europa “com tão claro crescimento e desejo de recuperação do tempo perdido e tão lenta capacidade de resposta e de reencontro com os europeus”, mas também em Portugal, onde foi um ano povoado de reconfortantes alegrias e de profundas tristezas”.

O Presidente recordou que 2017 começou com a partida de Mário Soares e lembrou ainda a visita do Papa Francisco em maio.

“Entretanto, íamos vivendo, como se de um sonho impossível se tratasse, finanças públicas a estabilizar, banca a consolidar, economia e emprego a crescer, juros e depois dívida pública a reduzir, Europa a declarar o fim do défice excessivo e a confiar ao nosso Ministro das Finanças liderança no Eurogrupo, mercados a atestarem os nossos merecimentos. Tudo isto colocando fasquias mais altas no combate à pobreza, às desigualdades, ao acesso e funcionamento dos sistemas sociais e aconselhando prudência no futuro. Mas permitindo a Portugal apresentar como exemplo a determinação dos portugueses”, frisou.

“Ninguém imaginaria, há menos de dois anos, poder partilhar tão rápida e convincente mudança. Sem dúvida iniciada no ciclo político anterior, mas confirmada e acentuada neste, que tão grandes apreensões e desconfianças havia suscitado, cá dentro e lá fora”, acrescentou.

Marcelo não esqueceu, entre as alegrias que 2017 trouxe, o triunfo no festival da Eurovisão, os elevados galardões no turismo, o sucesso reiterado no digital ou os êxitos nas artes, na ciência ou no desporto, “colocando Portugal como destino cimeiro universal”.

“Se o ano tivesse terminado em 16 de junho, ou tivesse sido por mais seis meses exatamente como até então, poderíamos falar de uma experiência singular, constituída quase apenas por vitórias”, vincou. “Assim não foi, porém. Um outro ano, bem diverso, se somou ao primeiro, a 17 de junho, dominou o Verão e se adensou em 15 e 16 de outubro, marcado pela perplexidade em Tancos, o pesar no Funchal, o espectro da seca e, sobretudo, as tragédias dos incêndios, tão brutalmente inesperadas e tão devastadoras em perdas humanas e comunitárias que acabariam por largamente pesar no balanço de 2017”.

Virando o discurso para o futuro, Marcelo realçou que esse futuro exige a coragem de reinventarmos o futuro.  “Reinvenção que é mais do que mera reconstrução material e espiritual, aliás, logo iniciada pelas mãos de muitos – vítimas, Governo, autarquias locais, instituições sociais e privadas e anónimos portugueses. Reinvenção pela redescoberta desse, ou talvez mesmo desses vários Portugais, esquecidos, porque distantes, dos que, habitualmente, decidem, pelo voto, os destinos de todos. Reinvenção da confiança dos portugueses na sua segurança, que é mais do que estabilidade governativa, finanças sãs, crescente emprego, rendimentos. É ter a certeza de que, nos momentos críticos, as missões essenciais do Estado não falham nem se isentam de responsabilidades”.

[Notícia atualizada às 20h29]





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