António Costa receia que possa acontecer à PT o que sucedeu à Cimpor

Primeiro-ministro aproveitou debate do Estado da Nação para criticar as privatizações da direita aproveitando para referir que teme "desmembramento" na PT.

© Jornal Económico/ Cristina Bernardo

António Costa falou, no debate do Estado da Nação dos alegados “despedimentos na PT (comprada pela Altice)”, que entretanto o presidente da PT Portugal, Paulo Neves, já desmentiu.

Foi um autêntico ataque do primeiro-ministro a uma empresa estrangeira que investiu em Portugal, a Altice.

A questão foi posta no debate pelo PCP. O primeiro-ministro disse que “receio bastante pelo que possa acontecer à PT, pela forma irresponsável como foi feita a privatização, que possa ser um novo caso da Cimpor. E que isso possa pôr em causa quer os postos de trabalho, quer o futuro da companhia. Era bom que a autoridade reguladora visse o que aconteceu, desde logo no caso de Pedrógão. Onde algumas operadoras conseguiram manter sempre comunicações, outras não. Olhe, eu por mim já fiz a minha escolha da companhia que utilizo”.

O tema foi repescado pela líder do Bloco de Esquerda. “Na PT, a Altice prepara o despedimento de milhares de trabalhadores, fintando todas as regras e gabando-se disso mesmo até no Parlamento”, comenta Catarina Martins. “A responsabilidade do Governo é travar estes processos. O Governo que recusou, e bem, o despedimento coletivo da PT, não pode agora lavar as mãos quando a PT está a fazê-lo”.

Costa respondeu ainda ao CDS para dizer que não houve cativações na proteção civil em 2016, e até aumentou o investimento em 4,5 milhões de euros.

Depois falou da precariedade, para dizer que a primeira fase do processo, a de identificação, já foi cumprida, mas sem garantir a integração de todos os precários.