António Costa: “Portugal está disponível para aumentar a sua contribuição” à União Europeia

No debate sobre o Futuro da Europa, no Parlamento Europeu, o primeiro-ministro português defendeu que é necessário aproveitar o “otimismo e crescimento dos mercados” e uma “capacidade orçamental própria da zona euro”.

O primeiro-ministro português afirmou esta quarta-feira, 14 de março, que “Portugal está disponível para aumentar a sua contribuição” para a União Europeia. No debate sobre o Futuro da Europa, no Parlamento Europeu, António Costa argumentou que só dessa forma a comunidade única poderá enfrentar obstáculos como terrorismo, ameaças externas ou alterações climáticas.

“Não podemos querer mais da Europa sem dar mais à Europa (…) Podem contar connosco. Portugal conta com a Europa, portanto, a Europa pode contar com Portugal”, disse, em Estrasburgo, no quadro do ciclo de debates sobre o futuro da União Europeia com chefes de Estado e de Governo. “Precisamos de aproveitar este movimento de otimismo e de crescimento dos mercados”, justificou.

Já no final de janeiro, o primeiro-ministro defendeu que, por causa do ‘Brexit’, os 27 teriam que estar preparados para aumentar as suas contribuições para o orçamento comunitário, se quiserem corresponder aos “anseios legítimos” dos cidadãos. “Se os cidadãos europeus pedem mais à União, os Estados-membros têm que dar mais à União. E por isso, sejamos claros: não podemos querer fazer mais fixando-nos como dogma para o orçamento da União o limite de 1% do Rendimento Nacional Bruto”, explicou, numa intervenção na sessão plenária do Comité das Regiões, em Bruxelas.

Na sua intervenção em Estrasburgo, António Costa reforçou a importância do aumento das contribuições dos Estados-Membros para o bloco europeu e a criação de uma “capacidade orçamental própria da zona euro”. A seu ver, deveria assentar numa base contratual para melhorar a capacidade de crescimento dos países – um “apoio à convergência”, articulada como exercício dos países de moeda única.

“Não defendo transferências permanentes”, assegurou o líder do Executivo. O montante seria aplicado em investimento, que, no caso de Portugal, iria ser destinado à educação, I&D, inovação e formação ao longo da vida, segundo alguns exemplo dos ‘calcanhares de Aquiles’ nacionais enumerados pelo primeiro-ministro.

António Costa frisou ainda que as prioridas são concluir a união económica e monetária e reunir recursos para a medida das necessidades e desafios da União Europeia. “A crise financeira expôs as fragilidades da moeda única. Evitamos por ação esclarecida do Banco Central Europeu a desagregação que chegou a ameaçar(…). Há fragilidades e assimetrias entre Estados-Membros que continuam por resolver”, disse, acrescentando que os países não podemo continuar a olhar para a zona euro como competidores entre si.

O governante português foi o terceiro líder europeu a participar neste ciclo de debates com a assembleia, após os primeiros-ministros da Irlanda, Leo Varadkar, em janeiro, e da Croácia, Andrej Plenkovic. Segue-se o presidente francês, Emmanuel Macron, na sessão plenária de abril. Após o debate, que durará cerca de duas horas e será seguido de uma conferência de imprensa conjunta com Antonio Tajani, com quem terá um almoço de trabalho, António Costa encontra-se-à com os eurodeputados e funcionários portugueses.




Mais notícias
PUB
PUB
PUB