Almaraz: Urânio que já não serve para produzir energia armazenado a 100 km de Portugal

O ministro do Ambiente português reúne-se esta quarta-feira com os ministros espanhóis do Ambiente e da Energia, em Madrid, para tentar “encontrar uma solução de consenso” sobre a central nuclear de Almaraz.

Espanha quer armazenar na central nuclear de Almaraz resíduos que são produzidos noutras centrais nucleares e que já não servem para produzir energia. Francisco Ferreira, dirigente da associação ambiental Zero, alerta que “os elementos de combustível que já não se utilizam ainda são altamente radioativos”, característica que mantêm durante milhões de anos.

As barras de urânio gasto, urânio 238, serão guardadas em contentos metálicos ou de betão acima do solo, o que por si não constitui risco acrescido, refere Francisco Ferreira.

No entanto, tendo em conta que o Armazenamento Temporário Individualizado (ATI) do material pode durar entre 60 a 100 anos, os ambientalistas estão preocupados com a possibilidade de o prazo previsto de laboração da central de Almaraz – até 2020 – possa vir a estender-se.

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, vai estar esta quarta-feira reunido com os ministros espanhóis do Ambiente e da Energia, em Madrid, para tentar “encontrar uma solução de consenso” e exigir um estudo ao impacto transfronteiriço da proposta espanhola.

O Governo espanhol garante que “o processo do armazém temporário individualizado de resíduos nucleares de Almaraz não está encerrado”. No caso de o projeto acarretar consequências negativas para Portugal, o país ameaça levantar uma queixa junto da Comissão Europeia.

O projeto de criação de um depósito centralizado dos resíduos de todas as centrais foi anunciado por Espanha em 2011, mas nunca chegou a arrancar. A central nuclear de Almaraz, localizada a 100 km de Portugal, começou a ser construída em 1971 e conta atualmente com dois reatores nucleares em operação, um desde 1981 e outro desde 1983. Em 2010 foi previsto o seu encerramento, que foi entretanto prolongado por Espanha até junho de 2020.

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