Alemanha tenta salvar Diesel 

Realiza-se esta quarta-feira uma cimeira entre o Governo alemão e os construtores automóveis daquele país com o objetivo de adiar os banimentos destes veículos das cidades e provar que a tecnologia Diesel tem futuro. 

Depois de quase dois anos de crise constante, a indústria automóvel alemã está a tentar salvar a tecnologia Diesel e acabar, de uma vez por todas, com um escândalo de emissões que não dá sinais de abrandar. Para tal foi convocada pelo Governo alemão uma cimeira que colocará os CEO de Volkswagen, Daimler e BMW frente a frente com ministros e líderes estatais. O intuito é convencê-los de que, apesar das constantes críticas e notícias negativas, o Diesel tem futuro.

A Bloomberg noticia que, em troca de apoio político para evitar os banimentos de circulação de veículos Diesel em cidades alemãs, os construtores estão dispostos a atualizar os modelos existentes no sentido de diminuir os níveis de poluentes emitidos.

Há muito em jogo para todos os lados. Os construtores alemães precisam do Diesel para ganhar tempo até conseguirem apanhar o “comboio elétrico” de ofertas como as da Tesla e da Nissan. E com menos de dois meses até às próximas eleições federais, Angela Merkel pretenderá deitar por terra as opiniões de que o Executivo é complacente com a indústria automóvel, ao mesmo tempo que garante não perigar os cerca de 800 mil postos de trabalho ligados a esta indústria.

“Os construtores farão a sua parte no desafio de melhorar a qualidade do ar nas cidades e de adequar o Diesel para o futuro”, afirmou à Bloomberg Matthias Wissmann, responsável pelo lóbi alemão do automóvel, VDA, que propõe uma redução média de 255 nas emissões de óxidos de azoto. “O Diesel é muito importante para a proteção climatérica, tal como para a prosperidade na Alemanha”, conclui.

Nesta cimeira são esperados acordos acerca da redução de emissões de óxidos de azoto nos cerca de 15 milhões de veículos Diesel existentes na Alemanha. Para o conseguir, a discussão centra-se na utilização de atualizações de software – com custos na ordem das várias centenas de milhões de euros – ou na opção por mudanças no hardware dos veículos, que poderão fazer os custos disparar até aos cinco mil milhões de euros, que seriam, na maioria, suportados pelos próprios construtores.

Esta quarta-feira, Armin Laschet, que lidera o Estado da Renânia do Norte-Vestefália, afirmou à cadeia televisiva ZDF achar que “este é um resultado alcançável hoje porque todos sabem que será legalmente obrigatório, por isso, esta parte está já decidida” quando inquirido sobre se seriam os construtores a suportar os custos das modificações nos Diesel.

Lidar com esta crise é muito complicado, num país onde 20% dos empregos dependem da indústria automóvel, este setor é responsável por mais de metade dos ganhos da balança comercial alemã e 46% dos veículos vendidos em 2016 eram movidos a gasóleo.

“A indústria automóvel é extremamente importante. A VW é mais importante para a economia germânica que a Grécia”, afirma à Bloomberg Carsten Brzeski, economista-chefe da ING-Diba AG. “A indústria tem de encontrar uma solução juntamente com o Governo acerca de como enfrentar as questões que a transformação estrutural coloca”, conclui.





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