Agressões em Alcochete: 23 detidos incorrem em dez crimes, revela MP. Terrorismo é um dos crimes

Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa confirma 23 detenções após agressões contra jogadores e equipa técnica do Sporting. Fatos ocorridos em Alcochete integram uma dezena de crimes entre os quais os de terrorismo, incêndio florestal, ofensa à integridade física qualificada e sequestro.

A Procuradoria da Comarca de Lisboa confirma que foram efetuadas 23 detenções na sequência das agressões a vários jogadores e membros da equipa técnica do Sporting Clube de Portugal, esta quinta-feira, por um grupo de cerca de 50 adeptos entraram na Academia do clube, em Alcochete. PGDL diz que estão em causa uma dezena de tipo de crimes, entre os quais os de terrorismo, incêndio florestal e sequestro.

Segundo o Ministério Público (MP) – Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa  – “na sequência dos factos ocorridos, ontem, em Alcochete, nas instalações da Academia do Sporting Clube de Portugal, foram efetuadas 23 detenções”.

O DIAP da Comarca de Lisboa (Secção do Montijo) avança ainda, em comunicado, que “em causa estão factos suscetíveis de integrarem os crimes de introdução em lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência,  detenção de arma proibida agravado, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e também de um crime de terrorismo”.

Por entender que devem ser aplicadas aos arguidos medidas de coação diversas de termo de identidade e residência, o Ministério Público decidiu apresentar os detidos a primeiro interrogatório judicial no Juízo de Instrução Criminal do Barreiro.

Recorde-se que é considerado terrorista o agrupamento de duas ou mais pessoas que, em actuação concertada, visem intimidar certas pessoas, grupos de pessoas ou a população em geral mediante diversas formas de crime, como, por exemplo, crimes contra a vida, a integridade física ou a liberdade das pessoas; ou crimes que provoquem incêndio, entre outros.

O crime de terrorismo é punível com pena de prisão de 2 a 10 anos, ou com a pena correspondente ao crime praticado, agravada de um terço nos seus limites mínimo e máximo, se for igual ou superior àquela.

Segundo o MP, encontra-se indiciado que os detidos entraram, sem autorização, naquelas instalações onde se encontrava a equipa principal do SCP, “tendo ameaçado e agredido jogadores e técnicos e causado estragos nos equipamentos bem como em diversas viaturas”.

Entre os agredidos estão o treinador Jorge Jesus e vários jogadores, incluindo Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic. Em comunicado, o Sporting confirmou os acontecimentos registado na Academia de Alcochete, atitudes que “configuram a prática de crime e que em nada honram e enobrecem” o nome do clube.

O MP dá conta que as investigações prosseguem no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público do DIAP da Comarca de Lisboa (secção do Montijo), o qual tem sido coadjuvado pela GNR.

Fonte oficial da Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou ontem ao Jornal Económico que “o Ministério Público está a investigar os factos ocorridos em Alcochete”.

Governo repudia atos criminosos e violentos contra o Sporting

O Governo também já se pronunciou e manifestou “repúdio” perante as agressões a jogadores e membros da equipa técnica do Sporting. O secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, garante estar atento a estes fenómenos e assegura que estão a ser tomadas medidas de segurança para a final da Taça de Portugal, que se disputa este fim de semana, no Jamor.

“Há um repúdio veemente para com atos de violência, vandalismo criminosos como os que ocorreram esta tarde. Quero mostrar solidariedade para jogadores, técnicos e quem foi agredido”, afirmou João Paulo Rebelo, recordando o título europeu de seleções conquistado em 2016 e o orgulho luso na modalidade. “Futebol é igual a orgulho nacional e a desporto de excelência. Estes atos foram protagonizados por criminosos e não adeptos, que merecem uma resposta corajosa”.

“Vamos tomar medidas para que a final da Taça de Portugal decorra da melhor forma e estejam reunidas as condições para que se viva a festa do festival e do desporto”, garantiu João Paulo Rebelo. “No domingo tem de haver uma demonstração clara que futebol é um orgulho nacional”, reitera.

Marcelo sente-se “vexado”

Em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência comemorativa do Dia Nacional dos Cientistas, Marcelo Rebelo de Sousa disse sentir-se “vexado” com os incidentes de terça-feira com futebolistas e treinadores do Sporting e assumiu ser este o momento de travar a escalada de violência no desporto

“Tive o sentimento de alguém que se sente vexado pela imagem projetada por Portugal no Mundo. Vexado porque Portugal é uma potência, nomeadamente no futebol profissional, e vexado pela gravidade do que aconteceu”, afirmou o Presidente da República.

Na terça-feira, um grupo invadiu a Academia do Sporting, em Alcochete, e agrediu futebolistas e equipa técnica do clube de Alvalade.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que em Portugal “não pode haver dois ‘Portugais’, um Portugal que é estado de direito democrático e o outro que vive à margem do estado de direito democrático. Não pode ser no desporto, no futebol ou noutra área qualquer”.

O chefe de Estado lembrou que o país se rege por leis e uma Constituição, apelando à criação de um “clima de serenidade”.

“Tenho-o dito em vários domínios da vida portuguesa, agora é a ocasião perante a gravidade do que aconteceu dizer no domínio, também, do desporto, concretamente do futebol profissional”, alegou o chefe de Estado.

“Temos de ter a noção de que é fundamental para o próprio futebol, para o próprio desporto e para a própria sociedade portuguesa que se perceba que o clima criado ao longo dos tempos, que foi debatido no parlamento, foi objeto de chamadas de atenção do Governo e de responsáveis de toda a ordem, não pode nem deve continuar. Sob pena de uma escalada que vai destruir o desporto português, desprestigiá-lo lá fora e desprestigiá-lo cá dentro e, nessa medida, empobrecer a sociedade portuguesa”, frisou o Presidente da República.

 

 






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