Tudo indica que a Lola vai nascer no primeiro trimestre de 2019. Ela ainda não saberá, mas vai ser a primeira funcionária pública automatizada e a sua carreira iniciar-se-á na Loja do Cidadão no Porto, como assistente pessoal do espaço público. A sua missão é tornar todo o processo de acesso à Loja do Cidadão mais simples e intuitivo e encaminhar corretamente os cidadãos para os serviços pretendidos.

Ou seja, depois de uma vaca voadora, o Governo vai apostar no robô Lola, que nasce no contexto do ‘Simplex’, o conhecido programa iniciado pelo Governo de José Sócrates que tem permanecido como bandeira socialista desde 2006. Agora, pela mão da ministra Maria Manuel Leitão Marques e ainda sem ter cumprido alguns dos seus objetivos, nomeadamente o de ‘papel zero’ no Estado, irá integrar o que dizem ser novos desenvolvimentos e melhorias – entre eles, a Lola.

A Lola, e as Lolas que lhe sucederão, encerrará serviços públicos de proximidade, tirará emprego público aos cidadãos? E como será feito o imprescindível atendimento personalizado? Dará resposta às necessidades das pessoas que procuram ser atendidas presencialmente numa repartição pública ou loja do cidadão porque não conseguem resolver os seus problemas através da internet?
Será esta uma pura ação de marketing? Será que a ministra e o Governo nestes três anos evoluíram no ‘Simplex’? Será que a era digital impõe a criação do funcionário público digital? E como seria se, em vez de uma repartição pública, o modelo fosse testado nas escolas, nos tribunais, nos hospitais e centros de saúde?

A verdade é que a Lola não terá uma carreira profissional, nem remuneração, nem direitos ou encargos. Também não terá família, não ficará de baixa por doença, não fará greve nem reivindicará melhores condições laborais. Mas será pioneira numa nova etapa tecnológica do Simplex. E pretende substituir o insubstituível que são os seres humanos, ainda que apresente um rosto humanizado.

Num momento social particularmente complexo, em que o Governo ainda não conseguiu resolver todas as promessas que assumiu com os partidos da frente de esquerda, nomeadamente com o descongelamento de carreiras dos professores, nem consegue dar resposta às urgentes necessidades do nosso Sistema Nacional de Saúde, vem agora introduzir o conceito do funcionário público robot. Talvez fosse melhor colocar as pessoas em primeiro e fazer voar a Lola para o seu mundo virtual.




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