Cabe à Comissão Europeia assumir a liderança do processo de reforma e concentração da discussão a nível europeu para encontrar novas soluções.

Nas últimas semanas a Catalunha assumiu o centro das nossas discussões, tão perto e tão distante. Sendo um processo que diz respeito aos nossos vizinhos, a concretização da independência não deixa de ter consequências para Portugal e para a Europa. Ninguém ignora o direito de pronúncia dos catalães, mas saúda-se a firmeza de Rajoy na manutenção da legalidade constitucional e do sentido de soberania.

Outros por cá, outrora tão legalistas, desesperam no silêncio. Aberta esta porta muitas tensões regionalistas se apresentariam. A regionalização não contribui para a construção de futuro. Em muitos casos apenas dificulta.

Quando finalmente a crise do euro e das dívidas soberanas parece ultrapassada, e realizadas as eleições alemãs, é tempo de voltar a repensar a União Europeia. O presidente Macron tem demonstrado um esforço em propor novas soluções, desde a criação de um ministro das Finanças europeu à existência de um orçamento comum para os países que adotam o euro. São contributos que se saúdam e que constituem um pontapé de saída para uma discussão que se exige. Mas ainda são insuficientes.

A Europa não pode esquecer os desafios com que se encontra confrontada: integração de migrantes, insegurança por força do terrorismo, negociação e consequências do Brexit, crescimento do populismo e extrema-direita já com representação parlamentar, sem esquecer os países que estiveram em intervenção e que ainda não consolidaram a sua recuperação.

A ocupação da Crimeia e receios de intervenção em vários países de leste contribuem para a desestabilização política. Nesta dimensão se integram ainda as tentações restritivas de direitos nalguns estados, como a Polónia e Hungria, que levam ao aumento da tensão interna e ao crescimento da pressão sobre as instituições europeias.

Neste quadro de “rosa-dos-ventos” de norte a sul, de leste a oeste, são tantas as questões e tão distintas que a Comissão Europeia mais parece uma corporação de bombeiros dedicada a apagar incêndios do que uma instituição com a responsabilidade de encontrar soluções transversais de construção de um futuro conjuntivo.

Ainda esperando pelo novo governo alemão, cabe à Comissão Europeia assumir a liderança do processo de reforma e concentração da discussão a nível europeu para encontrar novas soluções. Perante uma Europa que pela primeira vez será reduzida, política e economicamente, urge mostrar firmeza, força e dimensão acima dos interesses nacionais.

O novo máximo denominador comum não passa pela Europa das regiões. Na conjugação da identidade nacional e na inevitabilidade geográfica, perante os avisos que chegam de outros continentes, o reencontro com o destino comum.



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