11º Encontro Transportes em Revista apresenta projetos nacionais empreendedores na área da mobilidade

A organização do encontro promove, pela terceira vez consecutiva, três slots de apresentação de novos empreendedores nestas áreas, 100% nacionais. Esta edição pretende proporcionar reflexão e debate sobre o potencial da mobilidade e dos transportes de pessoas e bens na contribuição ativa para o desenvolvimento da economia.

O 11º Encontro Transportes em Revista acontece já esta quinta-feira (13) e prolonga-se até dia 14 de julho, no Museu da Carris, em Lisboa.

Em declarações ao Jornal Económico, José Monteiro Limão, mentor e organizador deste evento, explica quais os objetivos gerais desta edição. “Colocar a debate e reflexão a temática da captura de valor económico, a montante e a jusante da atividade principal dos agentes económicos presentes neste setor, mas também das entidades responsáveis e gestoras do sistema de mobilidade como sejam o Estado central, regional e local”.

José Monteiro Limão diz que é necessária uma visão estratégica e estabilidade nas políticas para ser possível “delinear instrumentos legislativos adequados e mecanismos económicos consistentes que proporcionem de forma concertada a captura direta ou indireta de valor para a Mobilidade e para os Transportes”.

O organizador refere que este é um setor que durante muito tempo, esteve estagnado no que se refere à inovação e desenvolvimento bem como à criação de novos serviços que respondessem às necessidades e expectativas do mercado. “Estagnado pelo lado do Estado, a quem compete ter uma visão e uma estratégia, definir e implementar uma organização institucional eficaz, segura e eficiente e assegurar mecanismos de regulação do mercado, por forma a defender o interesse comum e a sã concorrência. Por reflexo, os agentes económicos – prestadores de serviços – reagiram aos sinais contraditórios que lhes foram dados, levando-os a definir estratégias de mobilidade para os territórios, de forma autónoma e isolada, alheando-se muitas vezes das tendências e necessidades do mercado, focando-se na sustentabilidade económico financeira dos serviços que prestavam”, sustenta.

Entre os projetos que vão marcar presença no encontro, está o AIR4. 

O Air4 consiste num protótipo para medição de gases indicadores da qualidade do ar (dióxido de carbono, monóxido de carbono, óxidos de azoto, entre outros), associado a um modelo de análise de mapas e a uma aplicação mobile. Cada veículo rodoviário, equipado com o protótipo de sensores de poluentes atmosféricos, transmite os seus dados para um servidor, permitindo a visualização, através de mapas, dos locais com maior concentração de poluentes.

O Air4 pretende sensibilizar a população para o facto da poluição atmosférica resultar maioritariamente do trânsito e oferecer soluções, que permitam evitar a inspiração de níveis elevados de poluentes.

Este projeto, co-fundado por André Borges, aluno do mestrado integrado em Engenharia da Energia e do Ambiente da Faculdade de Ciências (Ciências) da Universidade de Lisboa (ULisboa), surgiu depois de ter conseguido, com a colega Ana Barros, o segundo lugar no primeiro Hackathon de Transportes Mundial. Reunindo mais quatro estudantes (Marco Van Nieuwenhoven da Holanda, Massimo Santi de Itália, Seydou Konaté do Mali e Julius Mugaga do Uganda, André Borges desenvolveu o projeto Air4.

“Ganhámos a possibilidade de um de nós se deslocar a Montreal no Canadá para participar na final mundial, dia 12 de maio. Entre ambos eu fui o escolhido e no Canadá ingressei numa equipa com participantes vindos da Holanda, Itália, Uganda e Mali e demos seguimento a uma ideia de medição de poluentes vinda do participante italiano”, conta André Borges, ao Jornal Económico.

O projeto encontra-se em fase de testes “para verificar se o método de calibração é o melhor, assim como estamos a tentar tornar o dispositivo mais barato”. No entanto, durante o hackathon, a equipa verificou o seu funcionamento.

Este é o primeiro ano que a Air4 marca presença no evento e espera levar ao público “um protótipo mais completo e um pouco diferente do que apresentámos na competição”, diz André Borges.

Outro dos projetos que vai apresentar o seu modelo de negócio é a HUUB. 

A HUUB nasceu em 2015, criada por Luís Roque, Co-fundador e CEO e com três outros fundadores do Porto: Pedro Santos, Tiago Paiva e Tiago Craveiro.

A empresa gere a totalidade de cadeia de abastecimento de marcas que operam no mercado fashion à escala mundial. Da produção à entrega final, a HUUB está presente em todos os passos logísticos. “Cumprimos o sonho de qualquer marca: focar-se apenas em criar as melhores coleções e vendê-las em todo o mundo”, conta Luís Roque.

O trabalho de toda a equipa é suportado pela plataforma criada pela startup portuguesa, o Spoke, que monitoriza a receção de mercadoria, armazenamento, stock e distribuição. Através da aplicação, o cliente tem total visibilidade e capacidade de gestão da sua coleção e pode até fazer alterações na operação em tempo real, através de um mero clique.

Em comum havia o objetivo de revolucionar a logística a nível mundial. “Conhecíamos também o mercado fashion, desde a componente da produção até à complexidade dos vários canais de venda e operações à escala global. Tornou-se claro que esse seria o casamento perfeito”, diz.

No primeiro ano de operação, a HUUB captou clientes em Portugal, na Europa e nos Estados Unidos da América (EUA). “Ultrapassamos a barreira dos dois mil envios, com expedições para mais de 70 países a nível mundial e uma faturação superior a 300 mil euros. Foi um arranque de que necessitávamos para este ano onde, para se ter uma ideia da evolução, atingimos a marca dos cinco mil envios logo no primeiro trimestre de 2017”, diz.

A empresa conseguiu captar 350 mil euros junto de investidores nacionais. Agora o objetivo é “levantar investimento fora de portas, onde esperamos atingir montantes de sete dígitos”, refere.

Neste momento a HUUB conta com mais de 30 colaboradores. Este é o primeiro ano da startup no evento. Nesta que é a sua estreia no evento, a equipa vai dar a conhecer a plataforma Spoke, que suporta e torna visual toda a operação aos olhos do cliente, assim como todo o modelo de negócio.

 

Há mais projetos empreendedores que vão utilizar o “palco” daquele que é o maior evento da área de mobilidade e de transportes em Portugal. O Drivu, primeiro serviço de motorista privado no próprio carro do cliente; a MUBcargo, plataforma que conecta pessoas que precisam de fazer transportes com transportadores dispostos a recolher e entregar essas mercadorias; o BuzzStreets, primeiro aplicativo que o leva de porta em porta do nível da rua para locais cobertos; o Interface Portugal, que dotam de uma visão 360º para o setor dos transportes e ao mesmo tempo, desenvolvem estratégias orientadas para a gestão de desempenhos, focadas na redução dos custos operacionais e de manutenção, o Stratio Automotive, projeto que desenvolve soluções para otimizar a manutenção dos veículos da frota; a Bitcliq, empresa de software que aposta no desenvolvimento ágil de soluções e sistemas de informação inteligentes e a Delnext, startup criada para simplificar o processo de envio de encomendas para todas as pessoas, tendo em especial atenção o preço, velocidade e serviço ao cliente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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