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Política / Economia

António Costa não pode ficar refém de uma "Geringonça 2.0" nem Rui Rio do CDS pós Portas. Ambos ganham em sugerir que podem entender-se. Estão a fazer política, cálculos, a tentar fazer crescer os respetivos campos

Se Sócrates fosse um comentador ter-se-ia esquecido de falar das 15 provas contra Lula e dos outros seis casos em andamento. Mas não, ele é apenas, um político. Não está ali para esclarecer. Só quer influenciar, convencer, arrebanhar – e, neste caso, antecipando necessidades próprias

No caso GPS, estamos perante o tráfico de influências em todo o seu esplendor criminoso e de novo no eixo das famílias PS-PSD. Esta é uma tragédia na sociedade portuguesa que se vai desenrolando à vista de todos e em processos sucessivos sem que os partidos reajam. Até quando?

Recordo: devido a um pacto político estabelecido no Parlamento, a que se juntaram o PCP e o BE, nunca conheceremos os nomes dos responsáveis por tudo aquilo que aconteceu na Caixa Geral de Depósitos, o banco do 'sistema', há muito governado por PS, PSD e CDS

Armando Vara continua em liberdade e sem cumprir a pena de cinco anos a que foi condenado, em primeira instância em Aveiro e depois na Relação do Porto. Está a ganhar tempo à custa dos 'timings' do Tribunal Constitucional. Desta lentidão da Justiça não é costume haver queixas

Desporto

Sérgio Conceição, Jorge Jesus e Rui Vitória, cada um com os seus problemas particulares, estão a comandar com competência os três clubes portugueses. O desporto nacional de fabricar vítimas em função dos resultados tem aqui pouco espaço desta vez

O presidente do Sporting auto-destruiu-se em público. E o que pretende Jaime Marta Soares? Iniciar um processo que conduza a eleições? É o que fará sentido. Não deve esquecer-se de que presidente era, e será até ao fim, o único fiel depositário da legitimidade dos votos. Isso não é transferível

Os deputados devem perceber que a sua lealdade não é para ser demonstrada aos clubes cuja camisola vestem em espaços de banalidades, como o dos 'biscates' na SporTV. A única irmandade que os deveria agora mobilizar seria a de um desporto com leis adequadas ao momento que passa

A Espanha de Lopetegui possui no meio do campo uma quase inacreditável riqueza; Fernando Santos, nas mesmas posições, conta, por enquanto, com muitas incógnitas e, até, desaparecimentos em combate. Ainda há tempo, é certo, mas as dúvidas nesta zona são muitas

O treinador do Sporting encontra-se colocado perante um momento decisivo da sua ligação ao clube. Depois de três anos, nos quais apenas ganhou uma Supertaça e uma Taça da Liga, joga em três frentes com um plantel reduzido quanto a avançados de qualidade e vai ter de fazer opções

Atualidade

O 'processo Marquês' transformado num jogo de xadrez ou futebol: o Ministério Público (MP) ataca pelo 'Correio da Manhã' (CM), José Sócrates defende-se até na SIC - e o jornalismo, algures no meio, também pode refletir

O presidente do PS, Carlos César, começa a ganhar o hábito de ver o seu nome associado a notícias socialmente embaraçosas.

Proponho um exercício: imaginemos que o comentário "o CDS até tem um dirigente gay! Ai que moderno que ele é!" não tinha sido proferido por Fernando Rosas.

Assunção Cristas fez o CDS subir no País nas últimas eleições autárquicas, nomeadamente em Lisboa, mas isso não impediu que o congresso do partido, realizado em Lamego, a reconduzisse em baixa com números mais europeus: passou dos quase 96% de há dois anos para pouco mais de 89%

Quem aprecia os jogos políticos, partidários e pessoais só pode ter ficado desiludido com o discurso final de Rui Rio no Congresso. O novo presidente do PSD não perdeu tempo com as incidências do conclave, de Montenegro a Ilina, nem comentou o resultado das listas.

Os congressos dos partidos não são retiros nos quais se deva procurar tempo para refletir. Pensar, para quem quer e pode, é antes. Ali, vai-se, como aos restaurantes da moda, para ver e ser visto - e, com sorte, para sair de lá com a glória do nome nas listas.

Primeiro, o tributo ao passado recente. O elogio a Pedro Passos Coelho. Ouvindo-o falar assim, poucos devem ter sido os "companheiros" presentes na sala que se devem ter lembrado das várias críticas, explícitas e implícitas, ao ex-líder no passado recente.

A notícia de que capital angolano poderá estar interessado na compra da Cofina (haja ou não algum intermediário irrevogável a trabalhar o processo) não me surpreende. Há muito que penso que um dia, esgotada que fosse a paciência nos meandros dos inocentes que são perseguidos pela investigação do MP, e provada a inutilidade de todos os comentadores úteis que se distinguem pela sanha ao Correio da Manhã (sempre em nome da Democracia e dos direitos das pessoas, pois claro), algum "take over" acabaria por ser tentado em último recurso.

Nuno Artur Silva (NAS), administrador da RTP para a área dos conteúdos, não vai ser reconduzido. O assunto foi caso de arromba pelos restaurantes de Lisboa e mereceu até, de algumas viúvas, uma choraminguice na praça pública. Também é verdade que os inimigos públicos da NAS se movimentaram nas tribunas da maledicência pura e dura.

Durante anos na Autoeuropa a lógica foi de diálogo entre trabalhadores e conselho de administração. Eram os tempos de António Chora, militante do Bloco de Esquerda, como chefe sindical. Mas Chora reformou-se, o PCP e a sua CGTP viram finalmente surgir a hora de comandarem o processo e hoje vive-se na fábrica uma realidade social diferente.

Na passada edição do 'Jornal Económico' desvendou-se um pouco do que vai ser o futuro de Pedro Passos Coelho depois dos oito anos passados à frente do PSD. Não pretende continuar como deputado e vai deixar a política para ganhar a vida a trabalhar no privado. Dará aulas, fará consultadoria e está já a escrever um livro sobre os seus anos de primeiro-ministro. Provavelmente, acrescento eu, até rejeitou convites para fazer análise política.

Lula da Silva, no Brasil, é o mais recente episódio de uma série muito vista: sempre que um homem dito de esquerda é investigado pela Justiça, por detrás dela, evidentemente, só pode estar uma conspiração "da direita".