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Política / Economia

Catarina Martins faz bem em continuar a provocar. Que provoque à vontade, sobretudo se isso servir para sermos mais conscientes da nossa realidade e da nossa História (...) Mas que não pareça sempre querer apenas diminuir Portugal, as suas portuguesas e os portugueses de sempre.

Quando se fala de natalidade, está, pois, a falar-se de economia e de justiça social. De futuro. É por isso que faz todo o sentido colocar a questão de um ponto de vista económico-financeiro, de investimento e de ajuda às famílias

A União Europeia, sabe-o qualquer pessoa que já tivesse vida antes de 1974 ou se interesse pela História, foi uma alavanca para que Portugal pudesse sair do subdesenvolvimento de décadas

Está aí uma iniciativa de cidadãos que propõe ao Estado poupar 11 mil milhões de euros, até 2040, nas rendas a pagar às PPP rodoviárias. Boa ocasião para ver como os deputados se posicionam entre o interesse público e as necessidades privadas.

Joana Marques Vidal, na PGR, tem trabalhado em prol de uma sociedade mais limpa, com menos corrupção, agora até no futebol. É do interesse da comunidade que continue no cargo. Assim ela também o queira.

Desporto

Se Portugal conseguir a desejada melhoria coletiva e contar com o Cristiano Ronaldo das últimas semanas - nem seria preciso o extraterrestre do último jogo - pode e deve ganhar a Marrocos, com mais ou menos dificuldades

O 'fantasma' das desilusões, que acompanha a Inglaterra nos Mundiais e Europeus desde 1966, esteve de novo a pairar sobre a equipa de Gareth Southgate. Valeu que Kane é um goleador com 'muita sorte'. Está sempre no sítio certo para a finalização

Depois de vistos os três grandes jogadores do futebol atual, só o capitão português não desiludiu. Os três golos de Cristiano Ronaldo são o momento mais excitante da competição até agora. Messi falhou, face à responsabilidade, na marca de pénalti. E Neymar, agora, andou perdido em combate

Messi falhou (uma grande penalidade) pela terceira vez ao serviço da seleção e pela primeira vez num jogo oficial da Argentina. Há momentos em que, como demonstrou Cristiano Ronaldo no dia anterior, o fundamental é manter a frieza e não vacilar. Desta vez, Messi não foi capaz.

Ronaldo, e os seus três golos, foram uma injustiça à solta num jogo que a Espanha fez tudo para merecer ganhar - e que Portugal não soube por duas vezes defender. Mas quem tem Cristiano Ronaldo pode sempre sonhar. Até com imitações de milagre.

Atualidade

O processo de discussão sobre o 'sim' ou 'não' à eutanásia lembra, de novo, caso isso fosse necessário, como funciona a 'democracia à portuguesa': os partidos propõem; os seus políticos-funcionários iluminados debatem; os cidadãos ouvem e até se torna útil que digam algo para legitimar o pseudo-debate - mas, no final, esses partidos, os seus deputados, o governo de turno, obviamente, decidem.

Há duas maçonarias: a dos princípios e a dos negócios. António Arnaut foi, para além do pai do Serviço Nacional de Saúde, um homem de princípios. Morreu há pouco e deixa um grande exemplo de vida, sempre norteada pela ética, pela deontologia, pela preocupação com os outros e a construção de um Estado mais justo.

No Verão que se aproxima, com a lembrança da tragédia do ano passado a pesar sobre Portugal inteiro, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estarão unidos para o melhor e para o pior.

As sucessivas declarações dos últimos dois dias, começando por Carlos César e continuando em João Galamba, abrindo caminho a uma abordagem ao caso de José Sócrates pelo próprio primeiro-ministro, não podem deixar de ter resultado de uma estratégia delineada. António Costa sentiu o perigo e o PS lançou-se para a imperiosa necessidade de reagir a este calvário de auto-flagelação, que envolveu ainda Manuel Pinho, Arons de Carvalho e até Ferro Rodrigues (sobre a ética associada às viagens dos deputados insulares). Fez bem.

O caso Manuel Pinho é uma nova oportunidade para constatarmos como o regime funciona.

Conheço 'jornalistas' que nunca assinaram uma notícia. Nunca ousaram fazer ou promover uma investigação séria sobre que assunto fosse. Nunca arriscaram uma incomodidade. Confesso que não tenho qualquer respeito profissional por eles, mesmo que alguns escrevam em português escorreito

O 'processo Marquês' transformado num jogo de xadrez ou futebol: o Ministério Público (MP) ataca pelo 'Correio da Manhã' (CM), José Sócrates defende-se até na SIC - e o jornalismo, algures no meio, também pode refletir

O presidente do PS, Carlos César, começa a ganhar o hábito de ver o seu nome associado a notícias socialmente embaraçosas.

Proponho um exercício: imaginemos que o comentário "o CDS até tem um dirigente gay! Ai que moderno que ele é!" não tinha sido proferido por Fernando Rosas.

Assunção Cristas fez o CDS subir no País nas últimas eleições autárquicas, nomeadamente em Lisboa, mas isso não impediu que o congresso do partido, realizado em Lamego, a reconduzisse em baixa com números mais europeus: passou dos quase 96% de há dois anos para pouco mais de 89%

Quem aprecia os jogos políticos, partidários e pessoais só pode ter ficado desiludido com o discurso final de Rui Rio no Congresso. O novo presidente do PSD não perdeu tempo com as incidências do conclave, de Montenegro a Ilina, nem comentou o resultado das listas.

Os congressos dos partidos não são retiros nos quais se deva procurar tempo para refletir. Pensar, para quem quer e pode, é antes. Ali, vai-se, como aos restaurantes da moda, para ver e ser visto - e, com sorte, para sair de lá com a glória do nome nas listas.