Volatilidade da libra esterlina trava mudanças do Banco de Inglaterra

A incerteza sobre o Brexit, a consequente desaceleração económica e desvalorização da moeda têm forçado o Governador Mark Carney a demonstrar cautela antes de arriscarem subir a taxa de juro de referência.

Toby Melville / Reuters

Há um ano que o valor da libra esterlina tem sido volátil, levando a preocupações por parte do Banco de Inglaterra (BoE). Os membros do Comité de Política Monetária reúnem-se esta quinta-feira e as preocupações com a moeda deverão condicionar quaisquer mudanças.

A libra tocou máximos de um ano face ao dólar esta terça-feira, impulsionada pela aceleração da inflação em agosto e pela crescente expetativa que o banco central aumente as taxas de juros nos próximos meses. No entanto, a moeda já desvalorizou cerca de 2% desde o início de agosto e 11% desde o referendo do Brexit, o que deverá travar o comité de fazer alterações.

“O resultado mais provável é não haver qualquer alteração, com uma votação de sete contra dois para manter os juros em espera”, explica o gestor de carteiras de fixed income da Allianz Global Investors, Mike Riddell. Em julho, os cinco membros permanentes, incluindo o governador, e um dos membros externos tinham votado contra uma subida, enquanto os restantes dois membros externos tinham votado a favor.

A incerteza sobre o Brexit, a consequente desaceleração económica (a previsão de crescimento este trimestre é de apenas 0,3%) e desvalorização da libra têm forçado o Governador Mark Carney a demonstrar cautela antes de arriscarem subir a taxa de referência dos atuais 0,25%, um mínimo histórico em que se encontra desde agosto do ano passado.

 A inflação no Reino Unido acelerou para 2,9%, em termos homólogos em agosto, segundo dados publicados pelo Office of National Statistics esta terça-feira. O valor fica acima dos 2,6% de julho e da expetativa dos analistas contactados pela Bloomberg. Os dados de agosto poderão alterar os planos do banco central, mas segundo o mercado de futuros, a probabilidade de acontecer esta quinta-feira é de apenas 7%.

Riddell espera, no entanto que o comité de política faça referência ao desconto em baixa do mercado sobre a trajetória futura dos juros no Reino Unido. “Vários membros do comité têm feito referência a esta questão nos últimos três meses, mas o mercado não tem prestado atenção até agora”, diz, salientando que a taxa implícita se tem mantido estável desde meados de julho, “tendo já em conta dois aumentos nos próximos três anos”.

“Acreditamos que são muito improváveis subidas por parte MPC nos próximos dois anos dadas as incertezas relacionadas com o processo em curso do Brexit, a não ser que a libra esterlina baixe ou os dados económicos recuperem. Não obstante, é possível que a comunicação do MPC tente surpreender o mercado para que a taxa implícita aumente”, acrescenta.





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