Vistos Gold caíram 60% em abril

De acordo com os dados da APEMIP – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, os vistos Gold concedidos a estrangeiros sofreram uma quebra de 60% em abril. O presidente da associação culpa a perceção negativa que os investidores estrangeiros têm do programa.

Foram concedidas 5003 Autorizações de Residência para Investimento (ARI), os conhecidos Vistos Gold, nos primeiros quatro meses do ano. De acordo com os dados divulgados pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), 4712 do total foram concedidos por via do requisito da aquisição de bens imóveis.

O mês de abril, com um total 122 vistos concedidos, registou uma quebra de cerca de 60% face ao mês anterior, algo que não surpreende Luís Lima, presidente da APEMIP: “Infelizmente, estes números confirmam os alertas que tenho feito. Nos últimos meses, os dados divulgados pelo SEF pareciam positivos, passando ao mercado uma mensagem enganadora. Na verdade, o que se verificava era uma monitorização aos despachos efetuados pelos trabalhadores e não aos resultados reais do programa no mercado. Cerca de 90% das emissões feitas nos últimos meses dizem respeito a processos antigos, que estavam há muito tempo a aguardar deferimento, e não a novos pedidos.” declara.

Para Luís Lima, esta quebra deverá continuar nos próximos tempos, o que se deverá à “perceção negativa” que os potenciais investidores têm do programa, devido aos constantes bloqueios burocráticos que enfrentam. O presidente da APEMIP declara que, “uma vez que há pedidos a aguardar despacho há mais de 10 meses, e outros parados há mais de um ano”, os investidores procuram alternativas, como é o caso de Espanha, “para onde têm fugido os investidores que desistem de Portugal”, como declara Luís Lima.

Para resolver esta questão e normalizar o programa de atribuição de vistos Gold, o presidente desta associação apela ao bom senso dos governantes. “O mercado precisa que este procedimento normalize de uma vez por todas. O problema de perceção já está criado, e o que aconteceu afastou o negócio e os investidores. Agora, temos que tentar descobrir uma solução. Para isso, é preciso que o Governo trabalhe em conjunto com os agentes do mercado para que juntos possamos voltar a captar novos investidores”, diz.

Em termos de investimento total, os vistos Gold já trouxeram para o país mais de 3 mil milhões de euros desde a sua criação, sendo que a aquisição de bens imóveis supera já os 2,7 mil milhões de euros. Os chineses mantêm-se no topo da lista dos cidadãos que mais investem neste programa, com um total de 3376 vistos concedidos; seguindo-se o Brasil, com 403; a África do Sul, com 180; a Rússia, com 173; e o Líbano, com 99.





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