Vieira da Silva: “Nunca foram criados tantos empregos no espaço de um ano”

No ano passado, a população empregada ultrapassou os 4,7 milhões de pessoas. O valor mais alto desde 2010 e representa a criação de mais 151 mil postos de trabalho face a 2016, destaca balanço de dois anos da legislatura em matéria de emprego hoje divulgado pelo gabinete do ministro do Trabalho.

Cristina Bernardo

A população empregada alcançou as 4.757 mil pessoas no ano passado, “o valor mais elevado desde 2010”. O crescimento de 3,3% face a 2016 traduz a criação de cerca de 151,2 mil postos de trabalho, destaca o gabinete do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) no balanço de dois anos da legislatura em matéria de emprego. Segundo Vieira da Silva, “nunca foram criados tantos empregos no espaço de um ano desde o começo da série do INE, em 1998”.

O balanço divulgado, nesta sexta-feira, 9 de fevereiro, pelo gabinete de Vieira da Silva surge após os dados divulgados pelo INE esta semana que revelam que a taxa de desemprego baixou para 8,9% em 2017, com uma redução de 2,2 pontos percentuais (p.p.) face aos 11,1% registados em 2016 e alcançando o valor mais baixo desde 2008 (7,6%).

“Os dados do INE relativos ao quarto trimestre de 2017 permitem portanto fazer um balanço globalmente positivo da recuperação do mercado de trabalho ao longo dos dois primeiros anos da atual legislatura”, defende o Executivo no balanço dos dois anos da legislatura agora apresentado.

O governante realça que a diminuição do desemprego em 2017 ultrapassou a estimativa que o Governo inscreveu no OE/2018 (9,2%) e “distanciou-se de modo significativo” das previsões da Comissão Europeia e do FMI no final de 2015 (14% e 12,5%, respetivamente).

Já a taxa de desemprego jovem, que em 2016 tinha ficado nos 28%, baixou para 23,9%, o Executivo sinaliza tratar-se do “valor mais baixo desde 2010 (22,8%)”, tendo o peso relativo dos jovens que não estão empregados, nem a estudar ou em formação, diminuído cerca de 2 p.p., passando de 13,2% para 11,2%. Ao mesmo tempo, o desemprego de longa duração caiu de 6,9% em 2016 para 5,1% em 2017.

Neste balanço do MTSSS é realçado que, entre o último trimestre de 2015 e o último trimestre de 2017, foram criados mais de 243 mil postos de trabalho (mais 3,3%) e cerca de 212 mil pessoas saíram do desemprego (menos 19,2%), das quais mais de 166 mil estavam desempregadas há um ano ou mais (menos 42,2%). É ainda destacado que a taxa de desemprego baixou 4,1 p.p. (de 12,2% para 8,1%), sendo que a taxa de desemprego jovem baixou 9,3 p.p. (de 32,8% para 23,5%) e a taxa de desemprego de longa duração baixou 3,2 p.p. (de 7,6% para 4,4%).

Mais 216,3 mil contratos de trabalho sem termo

Destaque ainda para o facto de o crescimento do emprego desde o início da legislatura ser integralmente explicado pelo aumento do trabalho por conta de outrem (mais 276,8 mil postos de trabalho), num quadro de redução de 4,2% do trabalho por conta própria, e para o crescimento de 7,4% dos contratos sem termo (mais 216,3 mil), superior ao aumento de 5,9% dos contratos a prazo (mais 41,1 mil).

Para o Executivo estes números significam que “78,1% do emprego por conta de outrem criado nestes dois anos corresponde a contratos sem termo, contribuindo para que a percentagem de trabalhadores abrangidos por esta modalidade contratual atinja os 78% no ano de 2017 (0,3 p.p. acima do valor registado em 2016)”.

O MTSSS salienta que a criação de emprego neste período “superou“ a redução do desemprego, o que significa, diz, que “um número importante de pessoas que estavam afastadas do mercado de trabalho, em situação de desencorajamento, de desemprego prolongado, está a regressar ao emprego”.

A este respeito, o documento  ilustra com o número de inativos desencorajados, o qual, frisa o MTSSS,  teve uma quebra de 17,7% (menos 47,7 mil pessoas), sublinhando também a redução de 17,7% do subemprego a tempo parcial (menos 42,9 mil pessoas).

Além dos dados divulgados pelo INE a 7 de fevereiro, o Executivo destaca os dados apurados recentemente pelo Gabinete de Estudos e Planeamento do MTSSS com base na informação constante das declarações de remuneração à Segurança Social, que apontam para um crescimento nominal de 3,7% dos salários dos mais de dois milhões de trabalhadores que se mantiveram empregados entre abril de 2016 e abril de 2017.

No caso dos cerca de 1,5 milhões destes trabalhadores com remuneração superior ao salário mínimo nacional de 2017 (557 euros), o aumento salarial terá sido de 3,3% no mesmo período.

 

 






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