“Vão transformar a Caixa num banco da dimensão do BPI”

O presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas alerta para os efeitos da redução de pessoal. E sinaliza que administração vai aprovar plano final com rescisões amigáveis que poderão ser massivas.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

“Vão transformar a Caixa Geral de Depósitos num banco com a dimensão do BPI”. É desta forma que o presidente do Sindicato dos Bancário do Sul e Ilhas (SBSI) reage ao plano de reestruturação do banco público que prevê a redução de 2.200 pessoas até 2020. O programa final de rescisões amigáveis, reformas antecipadas e pré-reformas vai ser aprovado pela a 22 de junho, desconhecendo-se ainda a redução concreta prevista para este ano nas várias modalidades, avançou ao Jornal Económico Rui Riso, após a reunião dos representantes dos trabalhadores com a administração do banco nesta quarta-feira, 14 de junho.

“Foi nos dito que que o programa será aprovado pelo conselho de administração no próximo dia 22 de Junho. Até lá está a ser desenhado um plano que equalize os vários regimes sociais existentes na CGD”, revelou o presidente do SBSI, criticando o plano de redução de pessoal da Caixa, aprovado por Bruxelas para a recapitalização do banco, que prevê uma redução média por ano de 550 pessoas até 2020.

“A DGCom falhou redondamente em Bruxelas, porque diz que os bancos em reestruturação têm de reduzir pessoal para surgirem novos players e o único que apareceu, nos últimos anos, foi o Banco Postal. Vão transformar a CGD num banco com a dimensão do BPI, com cerca de 5.000 trabalhadores”, afirma Rui Riso, alertando que a redução de pessoal poderá levar “à perda de contacto com a população”.

Recorde-se que a CGD tem vindo a emagrecer a sua estrutura nos últimos anos, inclusivamente com a saída de trabalhadores. No final de 2016, tinha 8.133 trabalhadores em Portugal, menos 297 do que em 2015.

Já o responsável da comissão de trabalhadores (CT) da CGD admitiu ao Jornal Económico que a administração do banco vai acelerar as rescisões amigáveis em virtude da fraca adesão das reformas antecipadas e pré-reformas, cujo prazo foi prorrogado de 31 de maio para 30 de Junho. O objectivo é garantir uma redução de 550 pessoas ainda este ano, num ritmo anual semelhante até 2020, ano em que a Caixa se comprometeu com Bruxelas reduzir 2.200 pessoas no âmbito do programa de reestruturação acordado para a recapitalização do banco público. Segundo Jorge Canadelo da CT , ao contrário do que tinha sido sinalizado pelo anterior presidente da CGD, António Domingues e já pelo novo líder do banco, Paulo Macedo, de que o programa de rescisões por mútuo acordo “seria residual” e de que “não seria feito de forma significativa”, “vão ter de reforçar as rescisões em virtude do banco número de reformas antecipadas e pré reformas, que, até este momento, abrangeu cerca de 250 pessoas”.

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