Vai comprar casa? Tenha em conta estes três fatores antes de investir

Embora a descida das taxas de juro do crédito à habitação e a baixa remuneração dos depósitos a prazo convidem ao investimento, há alguns aspetos a ter em conta antes de se lançar na compra de um imóvel. Saiba se deve ou não comprar casa agora.

O preço das casas em Lisboa e no Porto não para de aumentar. O ano passado, o preço médio por metro quadrado em Portugal subiu para 896 euros. As Estatísticas de Preços da Habitação reveladas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que, em Lisboa, a média de preços se fixou nos 2.315 euros, no terceiro trimestre de 2017, enquanto, no Porto, a média foi de 1.254 euros.

Na cidade de Lisboa, um imóvel na freguesia da Misericórdia (que inclui o Bairro Alto e do Cais do Sodré) pode custar 3.440 euros por metro quadrado. No entanto, ao consultar os anúncio de sites imobiliários verifica-se que há uma grande discrepância de preços. Um metro quadro que custa 2.750 euros na freguesia da Estrela, é vendido a 9,701 euros. Já no Porto, a zona da Foz é a mais cara e o preço por metro quadrado ronda os 1.801 euros.

Mas a ‘bolha imobiliária’ corre o risco de rebentar, caso a oferta deixe de acompanhar a procura. Basta o boom do turismo recuar e as taxas do crédito à habitação baixarem para os preços das casas conhecerem uma nova mexida. Em Espanha, entre 1997 e 2007, os preços das casas aumentaram 288% e quando a ‘bolha’ rebentou, as pessoas, que recorreram ao crédito para comprar os imóveis, não os conseguiram pagar, o que fez tremer violentamente a economia do país.

Embora a descida das taxas de juro do crédito à habitação e a baixa remuneração dos depósitos a prazo convidem ao investimento, há alguns aspetos a ter em conta antes de se lançar na compra de um imóvel. A Deco, associação de defesa dos direitos do consumidor, analisou três fatores para saber se é (ou não) uma boa altura para comprar casa ou se deve esperar.

 

  • Oferta de imóveis tem diminuído:

Segundo dados do INE, o número de edifícios licenciados e apartamentos concluídos é menos de metade do volume de 2008. Quer isto dizer que é bastante provável que os preços voltem a subir, tendo em conta que a lei da oferta não está a acompanhar a procura.

  • Portugal pode tornar-se um destino menos atrativo:

Um dos fatores que pode contribuir para uma bolha imobiliária é a procura externa, que compram casa sem pedir crédito bancário. Os franceses lideram a lista de cidadãos que mais compram imóveis em Portugal. Mas a procura de imóveis por estrangeiros pode vir a recuar, caso estes encontrem um destino mais atrativo do que Portugal ou a sua capacidade de investimento seja afetada.

  • Valor dos imóveis acima da avaliação

A Deco indica que 35% dos T2 e 30% dos T3 à venda na zona de Lisboa estão acima dos preços médios da avaliação bancária. Os imóveis colocados à venda ultrapassam também o valor do registo predial ou da própria avaliação feita pelos avaliados certificados. Nesse caso, terá de pagar mais pelo imóvel que quer comprar. Este é um indicador que serve para avaliar a existência de uma bolha imobiliária.

 

A Deco conclui que talvez não seja o melhor momento para comprar casa, tendo em conta que os preços estão altos e terá de ser muito seletivo nas oportunidades que lhe surjam. A associação de defesa dos direitos do consumidor recomenda que “não pague muito acima do valor que resultar da avaliação bancária”. “No máximo compre a casa pelo valor que o banco avalia, que já tem em conta vários critérios (valor patrimonial, características de construção, localização, etc), incluindo a comparação com o mercado”, afirma.

Se a sua ideia é comprar para arrendar, a Deco indica que também não é boa altura de investir: “O já conhecido rácio que mede a rentabilidade deste investimento (price to rent ratio) é superior à barreira máxima que recomendamos para comprar: 15. Pelas nossas contas, o rácio para os exemplos atrás mencionados para a Área Metropolitana de Lisboa são 23 para o T2, e 19 para o T3”.




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