União Europeia: Cimeira dos Balcãs começa hoje na Bulgária

Problemas políticos, sociais e económicos podem colocar em causa o sentido prático da reunião. Vários Estados-membros ainda não se convenceram da necessidade do alargamento da União aos seis países da região.

Bogdan Cristel/Reuters

Começa hoje em Sófia, capital da Bulgária, nova cimeira entre a União Europeia e os países dos Balcãs que fazem parte da agenda do alargamento – Kosovo, Albânia, Bósnia-Herzegovina, Macedónia, Montenegro e Sérvia – com uma série de pontos difíceis.

A questão do Kosovo é um deles, uma vez que Chipre, Eslováquia, Espanha, Grécia e Roménia ainda não reconheceram a declaração unilateral de independência avançada pelo país em 2008, o que desde logo coloca os cinco Estados-membros em conflito em relação ao projeto de entrada no agregado.

Face a este impedimento, os analistas consideram que a cimeira – a primeira em 15 anos entre os chefes de Estado da União e os seus homólogos dos países balcânicos – deve servir, na prática, para pouco. É que, para já, a posição dos cinco Estados-membros permanece irredutível. O problema é de tal ordem, que o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, nem sequer estará presente na cimeira – ele que deveria sentar-se ao lado do presidente kosovar, Hashim Thaçi.

As expectativas são, por isso, fracas, apesar de a Bulgária, que assume até fins de junho a presidência semestral do Conselho Europeu, se ter empenhado em usar a sua posição de liderança sazonal para tentar dar um impulso decisivo à questão do alargamento. Não é de admirar: o país é dos que mais sofreu com os efeitos colaterais da sucessão de guerras civis que aconteceram entre 1991 e 2001 mesmo às portas das suas fronteiras – e os búlgaros, como tantos outros, estão convencidos de que só o enquadramento dos Balcãs no interior das fronteiras da União Europeia poderá acrescentar algum grau sustentável de perenidade à paz na região.

Também a França parece ter algumas reservas em relação ao alargamento – mas por questões mais económicas. Em abril passado, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse no Parlamento Europeu que o alargamento deve ser antecedido de uma profunda reforma interna dos seis países.

Um relatório da Comissão Europeia de fevereiro deste ano apontava para muitas falhas em termos económicos em cada um dos países – mas também ao nível dos direitos humanos e da instauração dos rudimentos de democracias de facto. Neste quadro, o alargamento irá por certo continuar a absorver largas quantidades de recursos financeiros da União – existindo o perigo, do lado político, de os países balcânicos ‘puxarem’ o agregado para o reforço do populismo extremista, xenófobo e extra-nacionalista.

Talvez para responder a este problema, o projeto de documento elaborado para o encontro desta quinta-feira sublinha que os parceiros dos Balcãs “aceitam o primado da democracia, do Estado de direito, do respeito pelos direitos humanos e pelos membros das minorias”. Mas pode não chegar para convencer os Estados-membros mais renitentes.




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