Uma abordagem holística (II)

Importa avaliar se, no passado, sempre se olhou para o conjunto, ponderando o todo e os “diversos todos” que se cruzam no universo família-empresa.

Referimos, no artigo anterior, que uma abordagem holística se distingue pelo estudo e caracterização do todo, conscientes que esse todo é muito mais, e, sobretudo, é muito diferente da soma ou justaposição das partes.

Se tal abordagem é recomendável na apreciação e estudo das empresas, ela é essencial quando falamos de universos empresariais de matriz familiar.

A interacção entre as duas realidades, a potencial conflitualidade de objectivos, os valores primaciais que em cada caso dominam, a mútua dependência, impõem uma abordagem mais complexa porque tudo tem que se conhecer, ponderar e levar em linha de conta na tomada de decisão.

Este período de férias é propício para, de forma mais distendida, pensar um pouco sobre estas matérias.

Avaliar se, no passado, sempre se olhou para o conjunto, ponderando o todo e os “diversos todos” que se cruzam no universo família-empresa.

Perceber se, no presente, conhecemos todas as características de todos os que integram o universo no qual nos integramos, se conhecemos os talentos de cada um e a sua adequação à função que desempenham.

Antever a evolução do universo família-empresa e dos seus membros, bem como a sua alocação àquilo que melhor corresponde ao conjunto das suas competências.

Esta reflexão poderá/deverá, certamente, abordar variadíssimas áreas, sendo muitas delas específicas de cada caso concreto. Permitimo-nos, no entanto, enumerar algumas que, pela sua transversalidade, poderão ser motivações para a reflexão.

  • Os recursos (independentemente da sua natureza) da família e da empresa estão todos caracterizados e a ter a melhor utilização e rentabilidade.
  • Todos interagem com todos numa comunhão de objectivos.
  • A visão de longo prazo é partilhada por todos e está compatibilizada com as necessárias opções de curto prazo.
  • A nossa visão de longo prazo integra também os vários protagonistas que em cada momento assumirão responsabilidades.
  • Os activos totais da família e da empresa estão a ser geridos da forma mais eficaz e por forma a promover a unidade da família.
  • O talento e as características de cada um, bem como as suas diferenças, estão a ser usados da melhor maneira.
  • Os impactos das decisões tomadas e a tomar estão a ser devidamente avaliados.

Naturalmente que muitas outras áreas de reflexão se poderão acrescentar com vantagem em função dos casos concretos. É o desafio que fica para os leitores especialmente interessados nestas matérias.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.




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