Embora o resultado das eleições holandesas tenha acalmado ligeiramente os mercados, os resultados da primeira volta das eleições francesas irão determinar até onde poderá chegar o nosso otimismo sobre a região.

Os investidores globais estavam mais atentos do que é habitual às eleições legislativas marcadas para 15 de março na Holanda. O Partido Popular para a Liberdade (PVV) de Geert Wilders, populista e antieuropeísta, manteve-se à frente nas sondagens até poucos dias antes das eleições, pelo que muita gente previa mais uma vitória populista.

Tanto a percentagem obtida por Wilders, que foi inferior à esperada, como a participação eleitoral relativamente elevada – 77,7% – indicam que muitos eleitores holandeses também estavam bastante preocupados com os resultados destas eleições. No entanto, o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD) – liderado pelo atual primeiro-ministro Mark Rutte – conseguiu segurar o primeiro lugar, tendo obtido 33 lugares na câmara baixa (embora tenha perdido oito lugares em comparação com as eleições de 2012). Os grandes vencedores foram os Verdes (GroenLinks), que ganharam 10 lugares em comparação com 2012, enquanto o Partido Trabalhista (PvdA) foi claramente o grande derrotado, ao perder 30 lugares.

O VVD vê-se agora obrigado a formar uma coligação governamental para garantir a maioria absoluta na Câmara, para a qual são necessários pelo menos 76 lugares. O mais provável é que venha a ser constituída uma coligação centrista entre o VVD, o Partido Democrata Cristão (CDA) e os Democratas 66 (D66). A questão principal é saber se a coligação irá pender mais para a esquerda, com a inclusão dos Verdes, ou mais para a direita, com a inclusão do Partido da União Democrata Cristã (CDU).

Para os investidores, o tipo de coligação não deverá fazer grande diferença. A economia da Holanda está de boa saúde, apresentando um crescimento do PIB de 2%, um excedente orçamental, uma taxa de desemprego decrescente e uma relação dívida/PIB inferior à da Alemanha. Neste contexto, o país pode dar-se ao luxo de adotar uma política orçamental (muito) mais flexível sem aumentar significativamente os seus custos de financiamento. Tanto uma coligação como a outra manteriam igualmente um bom relacionamento com a Europa, o que é essencial para as empresas holandesas, que são grandes exportadoras.

Em França, já se conhecem os candidatos presidenciais, mas mantém-se a incerteza quanto ao resultado. O apoio a Emmanuel Macron tem vindo a aumentar, e as últimas sondagens atribuem-lhe 25,5% das intenções de voto, ou seja, uns escassos 0,5% atrás de Marine Le Pen. Este aumento pode atribuir-se essencialmente ao apoio que François Bayrou decidiu conceder-lhe no final de fevereiro, quando desistiu da sua própria candidatura.

Enquanto isso, a campanha de Benoît Hamon, o candidato socialista, tem vindo a perder força à medida que muitos membros do partido socialista passaram a apoiar Macron. Além disso, e apesar de ter conseguido formar uma aliança com os Verdes, até agora não obteve o apoio de Jean-Luc Mélenchon, que seria a sua última oportunidade para conseguir chegar à segunda volta.

François Fillon continua envolvido num escândalo financeiro, que ditou a sua acusação formal a 14 de março. No entanto, Fillon mantém-se na corrida, depois de ter proferido um discurso público proeminente em Le Trocadéro, que atraiu mais de 20 mil pessoas, e viu o seu partido reiterar todo o apoio à sua candidatura.

Marine Le Pen continua à frente nas sondagens, apesar de ter caído ligeiramente nas intenções de voto no início de março, depois de o Parlamento Europeu ter revelado uma eventual utilização irregular de fundos europeus na contratação de dois dos seus assistentes.

Nas próximas semanas, os principais candidatos irão defender os seus programas em alguns importantes debates televisivos – o primeiro dos quais teve lugar ontem – que poderão revelar-se decisivos, como aconteceu no passado. No entanto, nesta fase, com base nas sondagens e na análise do comportamento dos eleitores em eleições anteriores, continuamos a acreditar que uma vitória populista é improvável. Consequentemente, adotámos uma abordagem mais construtiva no que diz respeito às ações europeias. Embora o resultado das eleições holandesas tenha acalmado ligeiramente os mercados, estamos em crer que é essencial mantermos a cautela a este respeito, e os resultados da primeira volta das eleições francesas irão determinar até onde poderá chegar o nosso otimismo sobre a região.

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