Turquia força bancos a emprestar a juros mais baixos do que se financiam

O BBVA tem na Turquia o Banco Garanti. A ordem do presidente turco é para que "emprestem mais e mais barato" e já anunciou que consideraria uma traição qualquer política bancária contrária.

Susana Vera/Reuters

A pressão sobre a banca na Turquia, onde a opera o BBVA através da filial Banco Garanti, está em vias de se intensificar com o poder absoluto alcançado por Tayyip Erdogan. A notícia é avançada pelo elEconomista.

“As taxas de juros são uma doença, temos que derrubá-las”, disse na segunda-feira Yigit Bulut, assessor económico do presidente turco à emissora pública TRT, ao mesmo tempo que exigia das instituições financeiras que abrissem mais  torneira do crédito algumas horas, isto após o referendo que fortaleceu o poder de Erdogan.

O anúncio passou despercebido no mercado, sobretudo porque no dia das declarações a bolsa em Madrid estava fechada e por isso as ações do BBVA não sofreram impacto, embora nos EUA os seus ADRs tenham subido 1,1%.

Mas a verdade é que a política do presidente da Turquia ameaça as margens financeiras dos bancos.

A ordem é que “emprestem mais e mais barato e já anunciou que consideraria uma “traição” qualquer política bancária contrária a esta ordem.

O problema é que essa pressão, que se deve intensificar, aumenta os riscos para o sector bancário. De acordo com dados compilados pela Bloomberg, os bancos já davam em março nos créditos hipotecários juros de 11,11%, com margens negativas face ao custo do dinheiro naquele mercado. Os bancos cobram 11,30% nos depósitos a três meses.

O medo é que, sob pressão, os bancos possam tomar posições de risco excessivas em termos de quantidade e qualidade de crédito, numa altura em que a economia desacelera 2,6% contra 2,9% no ano passado, segundo a Moody´s.

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