‘Time’s Up’: Mulheres de Hollywood reforçam combate ao assédio sexual

O combate ao assédio sexual ganhou um reforço de peso: mais de 300 atrizes, guionistas, produtoras e realizadoras de Hollywood juntaram esforços e fundos e já apregoaram aos quatro cantos do mundo: Time’s Up!

Alva Vigaray/EPA/Lusa

A nova iniciativa de combate ao assédio sexual, batizada de “Time’s Up”, escolheu a primeira edição impressa de 2018 do “The New York Times”, publicada esta semana, para fazer anunciar a sua chegada ao mundo. Através de página de anúncios, o movimento que conta como signatárias mais de 300 atrizes, guionistas, produtoras e realizadoras dos EUA, assume como principal meta o combate ao assédio sexual na indústria cinematográfica norte-americana e noutros locais de trabalho. Entre este grupo de mulheres estão algumas atrizes de peso de Hollywood como Meryl Streep, Cate Blanchett, Natalie Portman, Reese Whiterspoon, Emma Stone e Eva Longoria.

Às atrizes que foram convidadas a estar presentes na cerimónia dos Globos de Ouro, agendada para o próximo domingo, doa 7 de janeiro, já foi lançado o reto para usarem roupa preta em sinal de solidariedade contra a desigualdade racial e de género. “Este é um momento de solidariedade, não é um momento de moda. Durante anos, vendemos estas cerimónias como mulheres, com os nossos vestidos, cores, caras bonitas e glamour. Agora, a indústria não pode esperar isso”, afirmou a atriz Eva Longoria.

Depois das denúncias e partilhas de casos de assédio sexual que marcaram os últimos meses de 2017, que dariam origem a um primeiro movimento, o “#MeToo”, este grupo de mulheres vem agora afirmar, tal como consta da carta aberta entretanto publicada no site do movimento, que “a luta das mulheres para se erguerem e serem ouvidas tem de acabar, porque acabou o tempo deste monopólio impenetrável de poderosos que abusam das suas posições de poder para assediarem colegas de profissão”.

Recorde-se que foram as primeiras acusações contra o produtor americano Harvey Weinstein, divulgadas pelo jornal The New York Times, que abriram espaço para a onda de relatos que desde então não pararam de se multiplicar. Atrizes, modelos e funcionárias que passaram pelas produtoras Miramax e The Weinstein Company vieram denunciar casos de assédio sexual, incluindo violação, atribuídos ao empresário. Estas partilhas trouxeram para cima da mesa um histórico de abusos ocorridos no decorrer das últimas três décadas, e que tinham como alvo mulheres jovens que ambicionavam uma carreira na indústria cinematográfica.

Agora, o que estas atrizes procuram com este movimento é que sejam dadas respostas reais e concretas às “desigualdades de género e ao desequilíbrio de poder” em locais de trabalho. Porém, esta sua luta vai mais além e defendem também a premência de existir mais mulheres em cargos de liderança e uma maior igualdade salarial entre sexos.

Depois de novembro último, cerca de 700 mil trabalhadoras agrícolas terem escrito uma carta de apoio à causa das atrizes vítimas de assédio sexual, as próprias sentiram a necessidade de direcionar os seus esforços ao resto do mundo, o que as leva hoje a estender esta luta a todas as esferas profissionais, exigindo, por exemplo, legislação que sancione as empresas que compactuem com uma cultura de assédio sexual ou o fim dos acordos de confidencialidade que tendencialmente protegem os responsáveis por abusos e assédio.

Até ao momento, esta campanha já angariou mais de 13 milhões de dólares (10,8 milhões de euros), contudo, o objetivo estabelecido é chegar aos 15 milhões (12,45 milhões de euros). Os fundos serão usados para financiar o apoio e aconselhamento legal a vítimas de assédio sexual nos seus locais de trabalho (incluindo homens, garante o movimento).



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