Tiago Marques quer ficar na CGD, Pedro Leitão sai

Administradores da equipa de António Domingues já responderam a convites de Macedo para outros cargos.

Os dois administradores da equipa de António Domingues, que bateram o pé até ao fim e não apresentaram a demissão após a renúncia do anterior presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), já deram resposta o convite de Paulo Macedo para permanecerem em participadas do banco público. Tiago Ravara Marques manifestou interesse em integrar o grupo Caixa e Pedro Leitão recusou, revelou ao Jornal Económico fonte próxima ao processo.

A mesma fonte dá conta que prosseguem as negociações sobre a nova remuneração e cargo a exercer por Tiago Marques, bem como sobre a indemnização a que Pedro Leitão terá direito. Um processo a cargo da comissão de remunerações e que ainda não está fechado. No caso de Tiago Marques, os lugares que estão em cima da mesa passam pelas equipas de gestão da CGD Pensões, Caixa Banco de Investimento, Caixa Gestão de Activos ou Caixagest.

Segundo a mesma fonte, nos termos do regulamento e estatutos da comissão de remunerações, é este órgão social da Caixa que estabelece as condições de remuneração e indemnização, sendo que o salário dos ex-administradores executivos de Domingues ascendia a 24 mil euros brutos mensais, ou 337 mil euros anuais. Caso Tiago Ravara aceite o cargo proposto,  terá de abdicar do direito de reclamar qualquer compensação. Já Pedro Leitão poderá ver revista em baixa a indemnização de cerca de um milhão de euros  – valor máximo a que tem direito por ser destituído sem justa causa, que corresponde à totalidade de salários até final do mandato, 31 de dezembro de 2019. O montante desta indemnização poderá, no entanto, ser inferior àquele valor, considerando fatores como o “desempenho, indisponibilidade mediante retenção, diferimento e mecanismos de redução e de reversão”, de acordo com a política de remunerações do banco. Em caso extremo, a comissão de remunerações pode até recusar o pagamento de indemnizações.

Após ter tomado posse, Paulo Macedo confirmou, a 3 de fevereiro, a existência de convites para Pedro Leitão e Tiago Marques, destituídos da administração, para ficarem dentro do grupo Caixa . “O que vamos fazer é uma proposta. Depois, as pessoas decidirão”, adiantou aos jornalistas o novo presidente da Caixa após uma visita à agência bancária da instituição financeira nas Amoreiras, em Lisboa. “O que compete fazer à Caixa é tentar aproveitar as pessoas que eram competentes para estar na administração e que poderão ser competentes para prestar serviço e trazer valor acrescentado noutras áreas”, disse Paulo Macedo. “Se for também o desejo dessas pessoas, haverá colaboração; se não for, o conselho de administração não tem nada que ver com isso”, acrescentou o ex-governante.

Tiago Ravara Marques, que fez a sua carreira no BPI, e Pedro Leitão, ex-administrador da PT, não apresentaram a demissão, ao contrário dos restantes administradores executivos da Caixa, após a renúncia apresentada, em novembro, por António Domingues ao cargo de presidente do conselho de administração, devido à polémica da entrega de declarações de rendimento ao Tribunal Constitucional .

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