Tesouro paga menos para emitir 1.250 milhões de OT a cinco e dez anos

IGCP realizou esta quarta-feira dois leilões de obrigações com maturidades em 14 de abril de 2027 e 17 de outubro de 2022, e colocou o montante máximo indicativo, tendo beneficiado do alívio dos juros na zona euro com a redução do risco político.

Portugal voltou a pagar taxas mais baixas para emitir dívida pública. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, o IGCP realizou dois leilões de dívida esta quarta-feira, tendo emitido 1.250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) a cinco e dez anos, o valor máximo indicativo.

Na linha com maturidade a 14 de abril de 2027, o IGCP emitiu 632 milhões de euros em OT a 10 anos, tendo pago uma taxa de colocação foi de 3,386%. A última emissão de OT a 10 anos foi através de uma venda sindicada  a 11 de janeiro, quando o IGCP colocou três mil milhões de euros com uma yield de 4,227%.

O valor compara também com a yield das obrigações benchmark, ou seja a 10 anos e que é vista como indicador do risco soberano, que negoceia esta manhã no mercado secundário próximo de 3,406%. Tal como outros países da periferia da Europa, Portugal tem beneficiado da diminuição do risco político no continente.

“Os resultados foram ligeiramente melhores do que esperávamos, com a taxa de juro da dívida a 10 anos a fazer o valor mais baixo desde final de 2016. Mas na emissão a cinco anos a descida foi mesmo muito acentuada. O certo é que tanto a taxa dos cinco como dos 10 anos refletem a descida do custo da dívida portuguesa a que temos assistido nas últimas semanas”, disse Filipe Silva, diretor da Gestão de ativos do Banco Carregosa.

Na linha com maturidade a 17 de outubro de 2022, o Tesouro emitiu 618 milhões de euros em OT a cinco anos e conseguiu uma taxa de colocação de 1,828%. No último leilão de obrigações com o mesmo prazo, o IGCP tinha pago uma taxa de colocação 2,174%.

Filipe Silva salientou que após o resultado das eleições francesas “há uma sensação maior de segurança quanto à solidez da União Europeia e  creio que foi essa redução do risco político, que antes penalizava mais os países da periferia da Europa, que agora acaba por ajudar”.

Explicou ainda que “estamos numa fase em que, a seguir ao Brexit, seria fatal um resultado eleitoral que alimentasse a ideia de mais um país a abandonar a Zona Euro ou a UE. De certa forma, regressou alguma confiança ao mercado de dívida portuguesa, que face à falta de alternativas de rendimento, consegue atrair interessados.”

A procura na maturidade benchmark foi de 1,92 vezes a oferta e de 2,03 vezes nas bonds a cinco anos. A gestora de ativos da Orey iTrade, Marisa Cabrita, destaca que “o Tesouro português colocou o montante máximo previsto” com uma “procura bastante robusta e com um rácio bid-to-cover acima de 2″, na maturidade a 2022.

[Atualizada às 11 horas]

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