Tesouro coloca 1,5 mil milhões em BT de curto prazo com juros negativos

Portugal voltou esta quarta-feira aos mercados com dois leilões de Bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses. O IGCP colocou o montante máximo indicativo e voltou a pagar taxas negativas.

D.R.

Portugal voltou aos mercados e colocou dívida de curto prazo com juros negativos pela quinta emissão consecutiva. As taxas de juro conseguidas pelo IGCP, agência de gestão de dívida pública portuguesa, foram as mais baixas do ano, mas a procura também diminuiu face a leilões anteriores.

O IGCP emitiu esta manhã 1.500 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT), o montante máximo, com maturidades em 17 de novembro de 2017 e 18 de maio de 2018.

No leilão de dívida a 12 meses, o Tesouro colocou mil milhões de euros com uma taxa de colocação de -0,153%, o que compara com uma taxa -0,112% no último leilão de dívida com a mesma maturidade, que aconteceu a 15 de março.

Na maturidade mais curta, a montante alcançou os 500 milhões de euros com uma taxa de colocação de -0,210%, o que significa uma descida na taxa em comparação com os -0,158% conseguidos no mesmo leilão em março.

“A emissão de hoje registou uma queda das yields exigidas pelos investidores e um aumento dos montantes colocados”, explicou a gestora de ativos da Orey iTrade, Marisa Cabrita. “Em ambos os prazos as yields exigidas foram as mínimas de sempre, com bids-to-cover considerados robustos”.

A procura superou a oferta em 1,62 vezes, nos BT a 12 meses, o que compara com uma procura de 1,93 vezes na emissão anterior. Nos BT a seis meses, a procura foi 2,23 vezes superior à oferta, face às 3,82 vezes no leilão anterior.

No mercado secundário, a yield das obrigações benchmark, ou seja a 10 anos e que é vista como indicador do risco soberano, negoceia esta manhã abaixo dos 3,3%, um valor que não tocava desde novembro do ano passado, a beneficiar da diminuição do risco político no continente e de uma descida generalizada das taxas em quase todos os países europeus.

“Depois de algum risco associado ao acto eleitoral francês, o mercado goza de um período em que os níveis de risco estão relativamente baixos. Os progressos em termos orçamentais reportados e a estabilização económica contribuem igualmente para um cenário positivo,” acrescentou a gestora de ativos.

Segundo o calendário do IGCP, este trimestre vai acontecer ainda outro leilão duplo de BT, a 21 de junho. As emissões de OT são marcadas até três dias úteis antes da data, como é costume, sendo esperadas colocações de mil a 1.250 milhões de euros por emissão através da combinação de sindicatos e leilões.

[Notícia atualizada às 11h10]