Terrorismo: Europa tem mais de 50 mil radicais

O coordenador europeu na luta contra o terrorismo diz que há mais de 50 mil radicais na Europa. Em entrevista ao El Mundo, Gilles de Kergchov acredita que "vamos sofrer mais ataques" e que "nunca vai ser possível parar um lobo solitário".

Christian Hartmann/REUTERS

É uma longa conversa e reflexão sobre o terrorismo na Europa. Gilles de Kergchov, coordenador europeu na luta contra o terrorismo, diz não saber precisar ao certo quantos radicais existem na Europa, mas de acordo com as informações de que dispõe, avança que o Reino Unido tem 25 mil radicais, França 17 mil, Espanha terá uns 5 mil, a Bélgica tem 500, e haverá ainda mais uns 2 mil (ou mais).

Em entrevista ao El Mundo, o belga esclarece, no entanto, que “ser radical (por si só) não é crime”, tal como “ser ortodoxo contra o Ocidente, também não é crime”. O pior é quando “um radical passa a ser terrorista”. O que as autoridades devem fazer – alerta Kergchov- é identificar os radicais, que são casos realmente preocupantes, e depois saber e definir como agir. Para Gilles de Kergchov “os casos mais perigosos deveriam ser monitorizados 24 horas por dia, 7 dias por semana.

O coordenador europeu na luta contra o terrorismo, diz que não há passividade das autoridades, que estão constantemente a “desintegrar células, a destruir planos dos terroristas e a prender pessoas”, mas acredita também que esta questão é muito mais profunda do que isso: é um problema geracional de desintegração e radicalização, que “vai levar tempo, décadas, e não meses, a resolver-se”.

Lições: maior esforço na prevenção, melhorar a parte humana, evitando a radicalização, melhorar a parte digital, na troca de informações dos serviços secretos e na monitorização, proteger os alvos mais fáceis, redesenhar as ruas pedonais, usar mais barreiras de proteção contra atentados.

E, agora, a lição (que preferíamos não ter de aprender): “Vamos sofrer mais ataques”.  O conhecimento que este belga – que já leva quase dez anos no cargo – tem do terrorismo e dos terroristas, permite-lhe afirmar que há um fenómeno claro de imitação no terrorismo e que “o que se passou em Barcelona voltará a acontecer. Nunca vai ser possível parar um lobo solitário que se radicalizou sozinho na internet e sai à rua como uma faca, mas podem-se tentar evitar os atropelamentos em massa”.

 



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