Temer perde dois ministros e enfrenta milhares nas ruas

Depois de o ministro das Cidades, Bruno Araújo, ter anunciado a intenção de abandonar o cargo, agora também o ministro da Cultura do Brasil, Roberto Freire, veio colocar o seu lugar à disposição.

A crescente tensão política no Brasil, impulsionada pela revelação de que o presidente brasileiro, Michel Temer, terá autorizado a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no âmbito do processo Lava Jato, motivou esta quinta-feira a segunda demissão no Governo. Depois de o ministro das Cidades, Bruno Araújo, ter anunciado a intenção de abandonar o cargo, agora também ministro da Cultura do Brasil, Roberto Freire, veio colocar o seu lugar à disposição.

“Tendo em vista os últimos acontecimentos e a instabilidade política gerada pelos factos que envolvem diretamente a Presidência da República, decidi em caráter irrevogável, renunciar ao cargo de ministro de Estado da Cultura”, escreve Roberto Freire em carta enviada a Michel Temer.

Roberto Freire, nomeado em meados de novembro para o cargo de ministro da Cultura, anunciou que irá voltar a ocupar o seu mandato na câmara dos deputados “para ajudar o país a buscar um mínimo de estabilidade política que nos permita avançar em reformas fundamentais para o desenvolvimento da economia, geração de emprego e renda e garantia dos direitos fundamentais para toda a população”.

Embora tenha sido acusado de ter pago luvas ao deputado Eduardo Cunha para que este não revelasse informações comprometedoras no inquérito do processo de corrupção no sistema politico brasileiro conhecido como Lava Jato, Michel Temer reafirmou que não renuncia ao cargo e que sabe “da correção dos meus atos”. “Sempre honrei o meu nome. Nunca autorizei que utilizassem meu nome indevidamente”, sublinhou.

Depois das declarações do presidente do Brasil, muitos foram os brasileiros que saíram à rua para demonstrar o descontentamento com a atual situação política do país. Das ruas, os protestos estenderam-se às redes sociais.

Michel Temer tomou as rédeas do Palácio do Planalto, depois da destituição da sua antecessora, Dilma Roussef, em agosto do ano passado.