TAP Retro: Voo para os anos 70 (e Recife) com a companhia aérea nacional

Desde a pintura da aeronave às etiquetas de bagagem, passando pelos chocolates e até mesmo os filmes, todos os detalhes faziam lembrar os anos 70. O oitavo voo retro da TAP, este para Recife, no Brasil, foi o último do ano. A linha aérea nacional gostou tanto de olhar para trás que já promete novos voos especiais para 2018.

A campeã olímpica Rosa Mota não poupou esforços, viajou mais de meio mundo para poder estar no voo retro da TAP para Recife. “Ontem foi uma maratona. Foi Macau-Hong Kong-Frankfurt-Lisboa-Recife, e estou muito bem”, explicou.

Foi a portuense, vencedora da medalha de ouro em Seul em 1988, que recebeu com um sorriso os passageiros no oitavo voo retro da TAP, este para Recife, capital do estado brasileiro do Pernambuco. A assistente de bordo ‘honorária’, trazia, tal como as colegas, uma farda desenhada por Louis Féraud em 1970.

Para os passageiros a surpresa já começara antes. No check-in no aeroporto Humberto Delgado, a bolsa para o cartão de embarque e a etiqueta para a bagagem sinalizavam um regresso aos anos 70. O desenho clean, sóbrio e elegante, um estilo que foi utilizado na pintura do exterior do “Portugal”, vestindo o moderno Airbus A330 com um look clássico.

A bordo, nos lugares dos passageiros, mais surpresas. Uma edição retro do Diário de Notícias e um ‘diploma de viajante no tempo’. A estrela foi, no entanto, uma bolsa da TAP. Em forma de cilindro, de cabedal vermelho e beige, a bolsa foi um ícone da linha aérea nos anos 70. Dentro da bolsa-prenda havia mais prendas, produtos nacionais e históricos: água-de-colónia Lavanda da Ach. Brito, creme de mãos Benamôr e uma pasta dentífrica Couto.

Recebidas as prendas e sentados os passageiros, ouviu-se a voz de quem manda no avião: o Comandante. “Este voo vai ser uma experiência única, uma atmosfera totalmente retro, a decoração, o serviço e o entretenimento”.

Chef especial

A tecnologia desse entretenimento, com ecrãs individuais touch, está longe da que existia nos anos 70, mas a TAP teve o cuidado de escolher conteúdos produzidos nessa década. Nos filmes, por exemplo, a escolha podia ser o primeiro Star Wars, o Rocky ou a comédia romântica Annie Hall.

Escolhido o filme, chegou a altura de consultar a ementa e a carta de vinhos. Todos os voos retro da TAP têm um chef especial, e neste foi Rui Paula, dos restaurantes DOC em Armamar e DOP no Porto. Um dos nomes incontornáveis na cozinha moderna portuguesa, a missão do chef para este voo específico era de recriar o que se servia na TAP nos anos 70. Tanto o Bacalhau com Puré de Grão como o Bife do Lombo à Portuguesa, cumpriram bem a missão.

“Pediram nos para fazer um menu especial, para ajudar a tornar esta iniciativa especial e que acho louvável pois divulga o país”, referiu Rui Paula.

Nas bebidas, além de uma seleção especial de vinhos, a Coca-Cola e a Sagres eram servidas em garrafas de vidro e com o rótulo dos anos 70.

Oitava máquina do tempo

O voo foi o segundo retro de Rui Paula e o terceiro Rosa Mota. Antes de Recife, a TAP já tinha organizado sete desse tipo de voo: Lisboa-Toronto, Porto-S. Paulo, Lisboa-Miami, Lisboa-Rio, Lisboa-Luanda, Lisboa-Maputo e Lisboa-Newark.

A bordo do oitavo, Miguel Frasquilho, chairman da TAP mostrou-se satisfeito com o projeto. “Tem corrido muito bem, foi uma iniciativa muito feliz, e tanto que foi feliz que já estamos a fazer voos retro que não estavam inicialmente programados. Este é o último deste ano, mas posso assegurar que certamente não será o último voo retro”.

Adiantou que “é uma iniciativa que não é vista com muita frequência, quase que podia dizer que é uma iniciativa inédita em termos de companhias de aviação”.

Segundo Frasquillho, este tipo de iniciativa mostra também o foco que a TAP está a ter no cliente, no passageiro, “porque de facto são eles que fazem a companhia evoluir”. O chairman explicou que os voos retro tem a ver com a história de uma empresa que tem 72 anos e que esta viagem específica comemorou os 50 anos de voos para Recife. “Tivemos o voo comemorativo em abril e este voo é muito feliz porque permite relembrar esse voo há 50 anos. E permite, no fundo, recordar que o Brasil e o Recife são mercados fundamentais para a TAP”.

Miminho doce

Fernando do Eire, enpresário de 58 anos que vive em Recife e viaja frequentemente para Lisboa na TAP, estava maravilhado com a experiência. “Foi uma surpresa total, não sabíamos de nada. É um abraço que a companhia nos está a dar, uma possibilidade de voltar aos anos 70, mas com tecnologia atual. É único”.

Para Rosa Mota, o mais importante é o ambiente que se gera entre a equipa e os passageiros nos voos retro. “Por exemplo, na altura em que vamos oferecer chocolates da Regina e fazer furos na máquina, as pessoas da minha geração ou anteriores lembram-se perfeitamente, as mais novas não fazem a mínima ideia o que é aquilo e até furam em sítios que já estavam furados”.

A ex-maratonista sublinhou que “todos gostam muito, e eu digo que é um miminho, um miminho doce. É uma boa parceria, porque é um produto nosso. Se pudermos promover o que é nosso, como a TAP, acho que é a nossa obrigação”.




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