Sonangol garante que nunca foi dona da empresa que contratou Orlando Figueira

A petrolífera angolana Sonangol garantiu esta sexta-feira, em comunicado, que nunca foi proprietária da Primagest, a empresa que contratou o ex-procurador Orlando Figueira e está no centro da Operação Fizz.

Foi esta empresa sediada em Angola que contratou o ex-procurador Orlando Figueira, que está a ser julgado por corrupção, após ter sido acusado de receber 700 mil euros para arquivar processos que visavam Manuel Vicente, ex-vice presidente de Angola e antigo presidente da Sonangol.

Tal como o Jornal Económico noticiou esta sexta-feira, a propriedade da Primagest é uma das questões decisivas no julgamento da Operação Fizz, dado que o Ministério Público acredita que esta empresa angolana pertence à Sonangol. Por sua vez, os arguidos Orlando Figueira, Manuel Vicente, Armindo Pires e Paulo Blanco defendem que a empresa pertence ao Banco Privado Atlântico (BPA), liderado por Carlos Silva. As defesas dos arguidos procuram utilizar a seu favor a opacidade que existe em relação à propriedade da empresa – dado que os próprios gestores da Primagest dizem desconhecer quem é dono. Se as defesas dos arguidos conseguirem demonstrar que, quando contratou Orlando Figueira, a Primagest estava sob o controlo de Carlos Silva, o Ministério Público terá mais dificuldade em provar que o ex-procurador foi subornado por Manuel Vicente.

Em reação a esta notícia, a Sonangol frisou que a Primagest não lhe pertence.

“A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola — Empresa Pública — “Sonangol E.P.”, tendo tomado conhecimento, através de recentes notícias publicadas na comunicação social Angolana e Portuguesa, que poderão continuar a subsistir dúvidas sobre a sua declaração de Abril de 2016, na qual, julgamos que de forma clara, declarou que a empresa denominada PRIMAGEST — Sociedade Gestora, S.A. não é, nem era, nomeadamente nos anos de 2011 a 2013, sua subsidiária, nem fazia parte de qualquer estrutura empresarial detida a qualquer título pela Sonangol”, garantiu a petrolífera estatal angolana.

Acrescentou que também as empresas Berkeley e Leadervalue, que estão relacionadas com a Primagest, também não lhe pertencem. Foram estas sociedades angolanas que compraram a consultora portuguesa Coba, em 2012, com a Sonangol a garantir que também não tem nada a ver com aquela, apesar das notícias que foram publicadas nesse sentido ao longo dos últimos anos.

“Por outro lado, e para que também não subsistam dúvidas, a Sonangol E.P. declara expressamente que não tem, nunca teve, directa ou indirectamente, qualquer relação com a aquisição do Grupo Empresarial COBA pela Berkeley — Gestão e Serviços S.A. e pela Leadervalue — Consultoria Investimentos S.A., ou, sequer, com a actividade deste Grupo Empresarial nos anos que se seguiram, seja no que respeita às empresas registadas em Angola, seja no que respeita às empresas registadas em Portugal, nomeadamente a COBA — Consultores para Obras, Barragens e Planeamento, S.A. e a COBA — Consultores de Engenharia e Ambiente, S.A.”, referiu.

Acrescentou que embora “não reaja a todas e quaisquer notícias publicadas a seu respeito, nomeadamente às que não acarretam repercussões ou prejuízos significativos a si ou a terceiros, no caso em apreço, pela repercussão que pode ter e pela gravidade do que está em causa, não pode deixar de publicamente fazer este esclarecimento”.






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