Sindicato quer garantir fatia de 5% da TAP e até empresta a pilotos

SPAC criou um mecanismo de incentivo e compra dando prémio de 10% aos pilotos que comprem ações na OPV para depois as venderem ao sindicato.

O SPAC – Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil está a fazer tudo para que os pilotos garantam a maioria das 75 mil ações que estão disponíveis para subscrição na OPV – Oferta Pública de Venda de 5% do capital da TAP, reservada a trabalhadores, que está a decorrer desde o passado dia 10 de abril e se irá prolongar até 10 de maio. Na impossibilidade de criar um veículo especial para acorrer a essa OPV – uma pretensão travada pelo atual Governo ao exigir que a subscrição das referidas ações seja efetuada a título individual e intransmissível, com um período de lock up de três meses, em que esses títulos não podem mudar de titularidade – a direção do SPAC conseguiu dar a volta a questão e criou um Mecanismo de Incentivo e Compra.
De acordo com um documento do SPAC, a que o Jornal Económico teve acesso, o sindicato dos pilotos colocou à disposição desta classe profissional da TAP três modalidades distintas. A primeira, designada ‘A10’ dirige-se ao piloto que pretende adquirir ações da TAP e pretende manter a sua propriedade após o referido período de indisponibilidade.

“Neste caso, terminado o período de indisponibilidade, o SPAC não fará junto deste piloto nenhuma diligência para aquisição das ações que lhe possam ter sido atribuídas na operação de venda”, garante a direção do SPAC no documento a que o Jornal Económico teve acesso. Mesmo assim, se o piloto mudar de ideias durante os primeiros 60 dias após o término do período de indisponibilidade, optando por vender as ações, o SPAC compromete-se a comprar-lhas pelo valor unitário de 11,48 euros. “Este valor representa um prémio total por ação de sensivelmente 10%, correspondente à acumulação do desconto de 5% de que o trabalhador beneficiou com um bónus adicional de 5% conferido pelo SPAC”, garante o sindicato dos pilotos.

A segunda opção, denominada ‘B10’, destina-se aos pilotos que pretendem adquirir ações, mas não pretendem manter a sua propriedade após o período de indisponibilidade. Neste caso, “o SPAC adquirirá, então, as ações ao piloto pelo valor unitário de 11,48 euros”, ou seja, com o mesmo prémio de 10%. “Não existe limite para o número de ações a transacionar ao abrigo deste mecanismo pelo que este se revelará tão mais vantajoso para o piloto quanto maior for o número de ações adquiridas”, aconselha o SPAC.

No terceiro cenário, designado ‘C5’, os destinatários são os pilotos que pretendem adquirir ações da TAP, mas não só não querem continuar na posse desses títulos após o período de lock up, como também não querem despender dinheiro próprio na compra dessas ações. “Neste caso, o SPAC emprestará ao associado o montante necessário à colocação da sua ordem de compra, com o limite máximo de 1000 ações (1.038 euros). Este empréstimo ficará titulado como uma nota de dívida que salvaguardará a devolução do montante após a conclusão da operação”, explica o SPAC no referido documento a que o Jornal Económico teve acesso. Findo o período de indisponibilidade, o SPAC entrará em contacto com o piloto para proceder à aquisição das ações que lhe possam ter sido atribuídas na OPV da TAP, comprometendo o sindicato a adquirir esses títulos por um valor unitário de 10,93 euros, isto é, com um prémio de 5%.

Além deste mecanismo, o SPAC pretende colocar uma ordem de compra até 75 mil ações da TAP para assegurar que nenhuma ação deste lote destinado aos trabalhadores reverterá para o consórcio privado Atlantic Gateway.

Segundo diversas fontes contactadas pelo Jornal Económico, este mecanismo, como o anterior, foram votados no passado dia 12, em assembleia geral extraordinária do SPAC. Estas fontes relembram que se este mecanismo tiver sucesso, não é só a Atlantic Gateway que deixa de ter acesso a estas ações, mas principalmente todos os outros trabalhadores da TAP, para quem esta OPV foi destinada em primeiro lugar.

Mais notícias