“Há uma tentativa de silenciamento dos ‘media’ guineenses, há uma ordem praticamente dada pelo chefe de Estado (José Mário Vaz) para que os jornalistas guineenses enveredem pela autocensura e o que está a acontecer com a RTP, RDP e Lusa é exatamente a outra face da mesma moeda, que visa silenciar vozes contrárias e críticas e, sobretudo, não permitir que a verdade seja tratada com idoneidade, ética e deontologia”, prosseguiu o vice-presidente.

José Mário Vaz havia solicitado à imprensa, no passado dia 26, que contribuíssem para a construção do país, sem menosprezar a Guiné-Bissau: “A partir de agora, peço aos jornalistas para passarmos só boas mensagens da Guiné-Bissau. Ajudarmos a Guiné-Bissau”.

Portugal, prestou um “grande apoio ao serviço público”, relembrou à Lusa Tony Tcheka, considerando que estes três meios de comunicação, prestes a serem suspensos, constituem um “exemplo inigualável e imbatível” da história guineense. O comentador político sublinhou ainda não existir “clareza por trás da decisão de usar este pretexto (de caducidade do acordo) para silenciar órgão de comunicação social”.

O jornalista avança que o chefe de Estado “já admite convocar eleições antecipadas”, de forma a “criar condições para que tudo seja feito, não pela força das armas, mas através de ações palacianas, que visam não só enfraquecer a oposição como a própria comunicação social”. Para ele, trata-se de um “plano maquiavélico que prejudica o país”, ao qual “todas as vozes, independentemente da cor política, devem-se levantar e opor-se a esta tentativa que configura, em última análise, um golpe de Estado palaciano”.

“É uma atitude de desespero, mais uma jogada a ver se consegue passar impune pelo temporal que está a assolar a Guiné-Bissau, em que (o Presidente) está a passar pela chuva sem se molhar, apontando sempre o dedo aos outros”, acrescentou.