A aposta na qualificação do capital humano nacional é fundamental para reduzir o atual desfasamento entre a oferta e a procura de trabalho.

A I Convenção Nacional dos Serviços, organizada pela CCP e pelo Fórum dos Serviços, debateu durante dois dias o papel dos serviços no futuro da economia portuguesa. Dos diversos painéis e debates surgiram grandes desafios enunciados como estratégicos e que consideramos deveriam orientar a política económica do país, nomeadamente tendo consagração no Programa Nacional de Reformas.

Destacamos seis grandes prioridades: a aposta na qualificação do capital humano, o investimento nos ecossistemas territoriais, a valorização do posicionamento geoeconómico do país, uma estrutura produtiva orientada pela diversidade, uma verdadeira reforma do Estado e uma contínua aposta no diálogo social e no papel da concertação, pensados como instâncias centrais para uma gestão mais tranquila da mudança, mediante um verdadeiro Pacto Social para a década.

Vou deter-me nos quatro primeiros desafios. A aposta na qualificação do capital humano nacional – investindo na elevação do nível do nosso sistema de ensino e formação, ajustando os perfis dos nossos recursos humanos às novas necessidades da economia – é fundamental para reduzir o atual desfasamento entre a oferta e a procura de trabalho.

O investimento nos ecossistemas territoriais, mediante políticas integradas orientadas para o reforço da sua atratividade, deve ser encarado na perspetiva da captação de investimento vindo do exterior, mas também de pessoas (não apenas turistas mas potenciais futuros residentes) com o efeito associado de entrada de rendimentos.

A valorização do posicionamento geoeconómico do país significa fazer de Portugal um lugar central na ligação da Europa a outros continentes, o que requer um investimento sustentado em infraestruturas logísticas e de transporte orientadas para o tráfego intercontinental e por uma ligação mas eficiente e com valor acrescentado nacional à restante Europa.

Finalmente, foi consensual a visão de uma estrutura produtiva nacional orientada por dois grandes vetores: a diversidade (de atividades e de formatos) e a novidade (novas atividades e novas oportunidades). Esta visão implica políticas públicas de apoio ao empreendedorismo, à experimentação e à concepção de novos projetos com ligação aos “setores do futuro”, de uma cooperação reforçada entre o mundo empresarial e as instituições de ensino, de investigação e de produção de conhecimento, seja em domínio de maior incorporação de tecnologia, seja em atividades inovadoras, baseadas em novos conceitos, novos produtos ou novos canais comunicacionais e de acesso aos utilizadores/consumidores.



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