Sebastião Lancastre: “Tem libras de oiro em casa? Troque por bitcoins”

Na sua intervenção na conferência da AMBA, Sebastião Lancastre defendeu que a Initial Coin Offering (ICO) será o futuro meio de captação de recursos. Isto é sobretudo verdade para as start-ups, empresas que não têm outras fontes de financiamento, já que não têm fácil acesso a crédito bancário, nem têm acesso ao mercado de emissões de ações em bolsa (IPO) ou mercado de emissões de dívida.

Cristina Bernardo

“Quais são as criptomoedas onde recomendaria investir?”, ouviu-se esta terça-feira no auditório da Reitoria da Universidade de Lisboa. Sebastião Lancastre,  fundador e CEO da Easypay,  respondeu. “Não recomendo no geral que invista em criptomoedas. Mas se tiver libras de oiro em casa, venda-as. Não valem nada. Os bancos não as compram [só na Alemanha se conseguem vender]. Então porque não troca por moedas criptográficas (como bitcoin ou ethereum)  e espera 5 anos. Talvez tenha um boa surpresa. Se perder, lembre-se que as libras de ouro ao fim de cinco anos continuariam a não valer nada”.

Decorreu nesta terça-feira na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa uma conferência, organizada pela Associação dos Antigos Alunos de MBA da Nova,  subordinada ao tema “Blockchain, Cryptocurrencies and The New Era of The Digital Economy”. Depois da abertura feita por Daniel Traça, Dean da Nova School of Business and Economics; e por Francisco Froes, Presidente da AMBA, coube a João Castro Head do ‘Center for Digital Business and Technology’ da Nova o papel de moderador de uma mesa redonda que contou com Sebastião Lancastre (Fundador e Diretor-Geral da Easypay), João Moreira Rato (Consultor e antigo presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública), Celso Martinho (Fundador e Diretor-Geral da Bright Pixel), Inês Boski (Fundadora e Diretora-Geral da Webmill) e Naveed Nassar (Fundador e Diretor-Geral da Resurgo Finance).

Na sua intervenção, Sebastião Lancastre defendeu que a Initial Coin Offering (ICO) será o futuro meio de captação de recursos. Isto é sobretudo verdade para as start-ups, empresas que não têm outras fontes de financiamento, já que não têm fácil acesso a crédito bancário, nem têm acesso ao mercado de emissões de ações em bolsa (IPO) ou mercado de emissões de dívida.

Sobre as críticas que muitas vezes se fazem à emissão de novas moedas (ICO), por ser apenas aparência ou fraude, Sebastião Lancastre ironiza com o caso BES “nós também temos golpes com tradicionais IPO”, disse.

A história dos ICO demonstra que a emissão de criptomoedas permite levantar milhões em segundos. Mas desde 2009 a 2018 as criptomoedas sofreram muitas alterações.  A Bitcoin, lançada em 2009, “inaugurou” a categoria “criptomoedas”, e foi o primeiro ICO da história (levantou 8 milhões de dólares). Seguiu-se a emissão (ICO) da moeda Ethereum (que levantou 18 milhões de dólares) em agosto de 2014. O último ICO foi da FileCoin, ocorreu em setembro e levantou 200 milhões de dólares.

Os ICO são muito populares, diz Sebastião Lancastre, “porque resolvem problemas”. São, por exemplo, uma forma das empresas se financiarem rapidamente pagando menos fees.

Investir num ICO para receber tokens em troca e obter uma participação numa empresa. Sim depois de bitcoin e blockchain, agora é hora de se familiarizar com outro conceito inovador trazido pela economia digital: o “token”.

O que são e para que servem os tokens? São uma utility porque podem ser usados como fees para pagar transações, como reserva de valor monetário e podem ser distribuídos como dividendos aos acionistas das empresas.

O que é esse conceito que tem levando pessoas a falar na “tokenomics”? Um token é, na verdade, nada mais que um novo termo para fazer referência a uma unidade de valor emitida por uma entidade privada. Embora os tokens tenham muitas semelhanças com as bitcoins (têm um valor associado que é aceite por uma comunidade e são baseados na tecnologia blockchain), servem para um propósito mais amplo. Os tokens são mais do que uma moeda, porque podem ser usados numa ampla variedade de aplicativos. Além disso, praticamente todos os tokens dependem do protocolo blockchain da Ethereum, que, segundo os especialistas, é mais completo do que o blockchain da bitcoin.

Sebastião Lancastre explicou que as criptmoedas, de modo a ser, úteis, precisam de ser convertíveis, em euros, dólares, ou noutras novas criptomoedas. Para isso são essenciais as casas de câmbio das criptomoedas.

No entanto ao longo dos anos as emissões iniciais de moedas (Initial Coin Offering – ICO) têm ficado mais reguladas. Hoje só entidades bem estabelecidas têm capacidade de suportar um ICO, que são sujeitos a apertado controle dos reguladores e a avaliações.

Blockchain  é antes de mais uma base de dados distribuída que guarda um registos de transações  permanente e à prova de violação. É uma base de dados com cópias em cadeia, todas ligadas entre si, de tal maneira que a alteração numa das bases de dados altera imediatamente todas as outras. Todas as alterações à base de dados ficam registadas (quem mudou, quando, que mudança foi efectuada, daí falar-se em transparência) Esta base de dados está encriptada, só quem faz parte da cadeia tem acesso a essa base de dados.

A Blockchain é também uma cadeia de blocos e serve para descentralizar confiança e é especialmente indicado para situações onde é preciso combater problemas de confiança e de transparência. Pois tudo que se faz dentro da cadeia fica registado no  livro-razão (ledger).

Um bloco é uma parte da blockchain onde são registados algumas ou todas as transações mais recentes e uma vez concluído é guardado na blockchain como base de dados permanente. Toda vez que um bloco é concluído um novo é gerado. Existe um número incontável de blocos na blockchain que são linkados uns aos outros – como uma cadeia – onde cada bloco contém uma referência para o bloco anterior.

A conferência que teve como parceiros a Santander Universidades e a Sonae Sierra,  debateu a importância da tecnologia Blockchain e a sua aplicação a áreas diversas, para além dos mercados e das empresas, como por exemplo a aplicação aos sistemas eleitorais. Foi aliás citado o exemplo da sua aplicação nas eleições da Serra Leoa, para combater problemas de confiança no sistema eleitoral e a falta de transparência.






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