Seat ultrapassa crise e quer crescer em 2017

A crescer depois dos anos difíceis da crise e do Dieselgate, a Seat Portugal revela-se preparada para os desafios do futuro. Em 2019 começam a rolar os elétricos espanhóis.

A crise, o Dieselgate e a alteração do paradigma do consumo automóvel tiveram a sua influência nos últimos anos da Seat em Portugal. Mas a filial portuguesa da marca conseguiu ultrapassar estes problemas e anuncia-se preparada para o futuro, que passará pela eletrificação da sua gama, já a partir de 2019.

No final de 2016, a Seat Portugal registou um total de 8.624 matrículas, o que lhe valeu uma quota de mercado de 4% no nosso país. Este foi um dos sinais de que a crise estava ultrapassada e de que a recuperação decorre de forma “sustentada, robusta e solvente”, como defende o seu diretor-geral, Rodolfo Florit.

Por isso, o responsável considera que a marca está bem posicionada para a ofensiva de produto SUV que se iniciou com o Ateca e terminará com o lançamento de um SUVde sete lugares, ainda sem nome definido.
O caminho, no entanto, não foi fácil. A crise afetou principalmente os países do Sul da Europa e a Seat, sendo uma marca marcadamente ibérica, foi muito afetada. Como diz Florit, “os anos seguintes à crise foram difíceis”.
Da mesma forma, a Seat Portugal não passou incólume ao Dieselgate. Ainda no processo de resolver as situações em que os seus clientes foram afetados – que Florit diz ter sido sempre a principal preocupação da marca –, a empresa está em constante comunicação com as autoridades e a usar todos os meios para resolver o problema da forma mais célere e simples.

Tal como a crise, também esta questão “já pertence ao passado”, afirma o responsável. Hoje a Seat lusa está a crescer a dois dígitos e com um resultado “fantástico”. E vale já cerca de 2% do total de faturação da casa-mãe.

Novos desafios
Com a mudança das tendências de consumo chegou a procura dos SUV, em detrimento das carroçarias mais tradicionais. Mais uma vez, a Seat adaptou-se, lançando o Ateca, o seu primeiro SUV, a que se seguirá o compacto Arona e um terceiro, de sete lugares. A aposta neste segmento foi decidida “há muito, porque os carros nãos e fazem de um dia para o outro”, diz Florit.
Assumindo a vantagem de ter uma estrutura independente em Portugal e a agilidade que as suas dimensões permitem em termos de adaptação ao mercado, o diretor-geral da Seat Portugal acredita que 2017 será um ano de crescimento sustentado, tanto para os seus concessionários como para a estrutura lusa.

Um dos pilares para este crescimento é o Ateca, que na última edição dos Troféus Volante de Cristal venceu a categoria “Escolha do Público”, algo que dá à marca o sentimento de dever cumprido. A prova disso é a reação das pessoas que testam o modelo, algo crucial para as vendas, como afirma o gestor: “Estamos sempre a incentivar que as pessoas façam test-drives, através da nossa rede de concessionários, da web ou em eventos, porque achamos que é quando o testam que as pessoas são cativadas.”

Eletrificação, conectividade e mais
Com um público marcadamente jovem e com grande afinidade pelos meios digitais, a Seat aposta na conectividade, tendo nos seus planos a criação de um “ecossistema em redor do carro” – apelidado “easy Concept” –, que permitirá novas formas de mobilidade e de relação com o automóvel.

Isso não quer, no entanto, dizer que a Seat apostará no ‘carsharing’, pelo menos não para já. Apesar de estarem a testar um serviço de ‘shuttle’ a pedido em território espanhol e de Rodolfo Florit afirmar que a Seat se está a “preparar para o futuro”, a marca prefere “ver como poderemos participar neste processo”. Ainda assim, promete que, “em breve verão a luz do dia” soluções de mobilidade que sejam ‘easy’ para os seus clientes.

A acompanhar o ritmo do Grupo Volkswagen, a que pertence, a eletrificação será uma realidade já a partir de 2019. Sem revelar qual será o primeiro modelo a receber esta inovação, Florit adianta apenas que a prioridade é assegurar a transversalidade da eletrificação no portefólio da marca, “por isso tentaremos abranger o máximo possível dos modelos que comercializamos”.
Apostada em crescer no mercado português de uma forma sustentada, a Seat prepara-se para abordar os grandes desafios do futuro: necessidades do consumidor, tendências de consumo, novas tecnologias e motorizações alternativas. Florit conclui: “É aqui que nos pretendemos destacar, com a intensão de apresentar produtos dinâmicos, frescos e easy”.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.



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