São mais e exigem mais. Trabalhadores da Zona Euro querem aumentos salariais

Em algumas das maiores economias europeias, os Governos estão em negociações com sindicatos e empresários para que se possam aumentar os salários dos trabalhadores, motivados pela aparente recuperação económica e o recuo da inflação na União Europeia.

Os representantes dos trabalhadores das maiores nações da Zona Euro querem que seja ponderado um aumento salarial para os cidadãos dos Estados-membros. A motivar o pedido está a aparente recuperação económica e o recuo da inflação na União Europeia, numa altura em que as taxas de desemprego começam a abrandar e se assiste a um crescimento das ideias populistas.

Os Governos europeus estão preocupados com o reavivamento do populismo e o Banco Central Europeu (BCE), que se reune na próxima semana para discutir as políticas económicas a serem tomadas na União Europeia, já manifestou preocupação com os curtos salários pagos aos trabalhadores europeus, defendendo que estes podem vir comprometer a economia do bloco.

“Nós concordamos com Mario Draghi”, afirma à agência ‘Bloomberg’ Carlos Martin, líder da Comisiones Obreras, o maior sindicato espanhol. “Quem viu uma subida salarial real em Espanha? Certamente, não foi a classe trabalhadora”.

Em Espanha, os sindicatos e grupos empresariais estão em negociações para uma eventual subida dos salário já no próximo ano. A quarta maior economia da União Europeia deve crescer pelo menos 3% este ano e os preços ao consumidores estão a aumentar novamente, depois de dois anos de deflação.

Também em Itália, o Governo de Paolo Gentiloni está a negociar um ligeiro aumento das remunerações para os funcionários do Estado, tendo em conta que desde 2013, a média de crescimento salarial ficou pelos 0,3%. O mesmo se passa em França, onde o presidente Emmanuel Macron quer rever as leis dos trabalhadores e discutir os salários com sindicatos e empresários, e na Alemanha, onde apesar do desemprego galopante os salários cresceram 2,1% desde 2013.

O economista-chefe do BCE, Peter Praet, diz que a relação entre desemprego e salários tornou-se um processo mais lento e que exige paciência. Carlos Martin diz, no entanto, que “esta recuperação é diferente. Os trabalhadores não querem arriscar perder o emprego, e essa é uma das cicatrizes produzidas pela crise. As pessoas não pedem aumento de salários. É difícil pressionar as empresas quando se tem medo”.



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