Santa Casa ainda não decidiu entrada no Montepio

O Governo terá manifestado interesse, mas a instituição liderada por Pedro Santana Lopes ainda está a avaliar a sugestão de Vieira da Silva.

SBSI

O Governo manifestou interesse em que a Santa Casa da Misericórdia pudesse fazer parte da estrutura acionista do banco Caixa Económica Montepio Geral, tal como avançou o DN de ontem, mas a instituição liderada por Pedro Santana Lopes ainda está a analisar e a avaliar a operação.

A Santa Casa, que já tinha manifestado interesse em entrar no Novo Banco se o Estado ficasse maior acionista, é agora repescada para uma solução minoritária no banco liderado por José Félix Morgado.
Contatado Pedro Santana Lopes não quis fazer comentários à notícia avançada pelo DN, por se tratar de uma situação embrionária.

A Caixa Económica Montepio Geral está em processo de alteração jurídica para sociedade anónima, e esse passo é essencial para a entrada de acionistas fora do universo da Associação Mutualista que hoje é dona da quase totalidade do banco (o resto é de um Fundo de Participação dos associados). Esta mudança estatutária assume particular relevância numa altura em que surgem exigências regulatórias de capital e a Associação Mutualista, que ontem se reuniu em Assembleia Geral, apresenta capitais próprios consolidados negativos de 107,3 milhões de euros.

Tem sido recomendado pelo Banco de Portugal com a anuência do Ministério do Trabalho e da Segurança Social que o banco, que terá de mudar de nome este ano, passe a ter acionistas que possam investir no banco em caso de aumento de capital. Tomás Correia, presidente da Mutualista, também defende essa solução de entrada de instituições de cariz social no capital da Caixa Económica. A possibilidade de convidar o holandês Rabobank, foi já admitida.

Fontes contactadas pelo Jornal Económico afirmam que a Misericórdia de Lisboa poderá equacionar avançar para o Montepio se for possível aumentar a dotação referente à exploração da concessão dos jogos sociais do Estado e que é atualmente da ordem dos 28%.

A Santa Casa poderá não ser a única instituição particular de solidariedade social (IPSS) a ser convidada a tornar-se acionista da CEMG. Há outras entidades, como a Cáritas, União das Misericórdias que poderão vir a ser convidadas, o que até agora não aconteceu. Contactado Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias Portuguesas disse não ter sido convidado a integrar uma eventual ‘pool’ para entrar no capital do Montepio. Mas adiantou que “vê com bons olhos a criação de um banco social”, no entando duvida da capacidade das IPSS para angariem capital para uma operação financeira.

Montepio:  86,5 milhões de perdas e regressa aos lucros
O presidente da Caixa Económica Montepio Geral disse em conferência de imprensa que o plano estratégico que está a ser implementado desde o ano passado permitirá ter resultados positivos em 2017 e que o regresso aos lucros começa no primeiro trimestre.

A Caixa Económica reduziu os prejuízos para 86,5 milhões em 2016, o que compara com 243,4 milhões em 2015. Resultados que foram suportados pela actividade recorrente do banco (margem e comissões). “Este ano de 2016 é o primeiro ano da execução do plano estratégico de reposicionamento da Caixa Económica”, disse José Félix Morgado.

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