Sabe mesmo tudo sobre a ‘Guerra dos Tronos’? Leia aqui mais cinco curiosidades

Sabe qual foi a cena que levou à adaptação dos livros à série televisiva? A revista 'Estante' escreveu cinco curiosidades sobre todo o mundo complexo criado por George R. R. Martin.

A revista ESTANTE, da FNAC, fez o levantamento de 15 curiosidades sobre a tão aclamada série ‘A Guerra dos Tronos’, que estreia a sua sétima temporada já este domingo, nos Estados Unidos, e segunda-feira, em Portugal.

George R. R. Martin inspirou-se em tartarugas

George R. R. Martin nunca se coibiu de apontar O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien, como uma das principais inspirações por detrás das suas Crónicas de Gelo e Fogo – na verdade, chegou mesmo a dizer que, sem a épica trilogia de Tolkien, os seus livros não existiriam. Outra evidente inspiração foi a saga Os Reis Malditos, do francês Maurice Druon, que Martin apelida de “A Guerra dos Tronos original”. O que o autor raramente refere é que As Crónicas de Gelo e Fogo também devem a sua existência a… tartarugas. Mais especificamente as que teve na infância.

O pequeno George costumava mantê-las num castelo de brincar e imaginava-as no papel de reis, rainhas e cavaleiros. “[Mas] estas tartarugas morriam muito facilmente”, explicou numa entrevista ao Financial Times, citada pelo Simple Thing Called Life. “Eu achava que morriam porque se andavam a assassinar em intrigas sinistras. Comecei a escrever uma série de fantasia sobre quem matava quem, e as guerras pela sucessão. Por isso, A Guerra dos Tronos começou originalmente com tartarugas, acho eu.”

Todos os protagonistas de prólogos ou epílogos morrem

George R. R. Martin é um adepto incondicional da narração na terceira pessoa. E de narrativas com grandes elencos. De modo a envolver os leitores nos dramas pessoais de cada uma das suas criações, opta por restringir o ponto de vista a um personagem por capítulo. Mas não se limita a aproximar-nos de figuras importantes, como Tyrion Lannister, Jon Snow ou Daenerys Targaryen; fá-lo também com personagens aparentemente tão irrelevantes como Jon Connington, Arys Oakheart ou Areo Hotah. Resultado: em apenas cinco livros, já utilizou 31 pontos de vista diferentes. Entre os seus favoritos, encontram-se nomes tão improváveis como Arianne Martel e Asha Greyjoy.

O mais curioso é que, até agora, todos os personagens que serviram de protagonistas num prólogo ou num epílogo acabaram mortos, no próprio capítulo ou pouco depois. São eles: Will, Meistre Cress, Chett, Merrett Frey, Pate, Varamys Sixskins e Kevan Lannister. Por isso ninguém levará a mal se não te lembrares de nenhum deles.

A série televisiva nasceu por causa do Casamento Vermelho

Atualmente na sétima temporada, ‘A Guerra dos Tronos’ é uma das séries televisivas mais populares desta década. Aclamada pelo público e pela crítica, foi distinguida com 38 Emmy – um recorde no que respeita a séries com argumento transmitidas em horário nobre nos Estados Unidos – e a sexta temporada alcançou uma impressionante audiência média de 7,69 milhões de espectadores. É curioso pensar que, se não fosse uma certa cena em A Glória dos Traidores, tudo isto poderia nunca ter acontecido.

Referimo-nos à célebre cena do Casamento Vermelho, uma cena que, de acordo com o AVC Club, é particularmente chocante por simbolizar “a morte da esperança” na saga de George R. R. Martin. Para a escrever, o autor inspirou-se em dois eventos reais da história da Escócia: o Black Dinner, em 1440, e o Massacre de Glencoe, em 1692. A base verídica não evitou alguma perturbação. “Foi a coisa mais difícil que já escrevi”, chegou a afirmar Martin.

David Benioff concorda: “No livro, quando a banda começa a tocar o ‘Rains of Castamere’, sabemos que algo de mau está prestes a acontecer. Foi a mais forte reação física que já experienciei enquanto lia alguma coisa. Não queria virar a página, porque sabemos que algo horrível vai acontecer e não acreditamos realmente e não queremos que aconteça.”

Quem é David Benioff? Um fã dos livros de George R. R. Martin. E, com D. B. Weiss, um dos argumentistas responsáveis por adaptar a saga à televisão. A principal razão para o fazerem, de acordo com os próprios? Recriar visualmente o Casamento Vermelho. Missão cumprida.

A culpa de tantas mortes é do Wonder Man

Outubro de 1964. Na edição número 9 da banda desenhada The Avengers, é apresentado Simon Williams, um homem a quem é conferido um poder sobre-humano que o leva a assumir o nome de Wonder Man e a unir forças a um dos mais célebres grupos de super-heróis: Os Vingadores. Podia ser o banal início de mais um herói da Marvel Comics. Mas não. Eis que, num desfecho surpreendente, Wonder Man sacrifica a própria vida para salvar os companheiros. E morre na sua primeira história.

Saltamos para 1965. Na secção de correspondência de uma das edições de The Avengers, um adolescente George R. R. Martin dirige-se a Stan Lee e Don Heck, recordando a aventura de Wonder Man: “Que história! Fiquei sem palavras. A ação eletrizante, a caracterização sólida e aquele fantástico final deram uma energia extra e catapultaram-na para a classe das grandes.”

Decorrem 46 anos. George R. R. Martin é já um nome estabelecido na literatura, com uma queda particular para matar alguns dos seus personagens mais queridos. Numa entrevista, John Hodgman traz-lhe à memória a tal carta que enviou na adolescência a elogiar a aventura de Wonder Man. E Martin explica, finalmente, o que o levou a reagir com tanto agrado: “Gostava do Wonder Man! Sabe porquê? Porque morre [na sua primeira] história. É um personagem novo, é apresentado, e morre. Foi muito comovente. Era um personagem trágico, fadado. Acho que respondo a personagens trágicos e fadados desde o tempo da escola secundária.”

Não é preciso puxar muito pela cabeça para perceber a influência que isto teve em George R. R. Martin. Em seis temporadas, a série televisiva conta já 1243 mortos. Valar morghulis.

A saga é escrita num processador de texto dos anos 80

O primeiro volume de As Crónicas de Gelo e Fogo foi publicado em 1996, catapultando em definitivo George R. R. Martin para a glória. No entanto, ao contrário do que se pensa, o talento do autor era reconhecido bem antes disso. Martin publicou o seu primeiro conto em 1972 e contabilizava já dezenas de histórias e uns quantos prémios literários antes de se aventurar nas intrigas de Westeros. Mais: além dos livros, escrevia para televisão, tendo passado a metade final da década de 1980 como um dos guionistas das séries The Twilight Zone e Beauty and the Beast. Por estranho que possa parecer, utilizava na altura a mesma ferramenta de escrita que utiliza agora.

“Tenho dois computadores. Num deles, acedo à Internet, ao meu e-mail e trato dos impostos. E depois tenho o meu computador para escrever, que é uma máquina DOS, não conectada à Internet. Utilizo o WordStar 4.0 como processador de texto”, explicou George R. R. Martin numa entrevista a Conan O’Brien. A ferramenta a que se refere foi desenvolvida em 1978, mas a versão que o autor usa é mais “moderna”, datando da década de 1980.

A preferência de Martin justifica-se precisamente devido à sua simplicidade: “Faz tudo o que quero que um processador de texto faça e nada mais do que isso. Detesto alguns destes sistemas modernos em que escrevemos uma letra minúscula e ela muda para maiúscula. Eu não quero uma maiúscula. Se quisesse uma maiúscula, teria escrito uma maiúscula. Sei trabalhar com a tecla Shift.”

Pode ler mais curiosidades aqui.

 

 

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