Rui Rio: salário de 1.500 euros e ausência alvos de crítica pela Ordem dos Contabilistas Certificados

"O que mais lamento nem é propriamente a remuneração, é a ausência de ligação à Ordem", disse Paula Franco depois de assumir a liderança da OCC na segunda-feira.

Rui Rio, líder do PSD, foi acusado pela nova bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC), Paula Franco, de receber 1.500 euros brutos mensais pelo cargo de vice-presidente da assembleia geral e não ter aparecido no processo eleitoral.

“O que mais lamento nem é propriamente a remuneração, é a ausência de ligação à Ordem”, disse Paula Franco à Lusa, na primeira entrevista depois assumir a liderança da OCC na segunda-feira, 5.

A bastonária admitiu serem “excessivas” as remunerações de alguns membros dos corpos sociais, como a de Rui Rio ou a do antigo bastonário, falecido em 2016, Domingues Azevedo, remunerado em mais de 10 mil euros mensais, o que motivou uma queixa de um contabilista ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), sobre alegados pagamentos sem base legal a dirigentes e acumulação de salários e pensões, noticiada em dezembro, e buscas à OCC.

Paula Franco contou ainda não ter tido conhecimento de qualquer desenvolvimento sobre a investigação, relativa ao inquérito instaurado em agosto de 2017 pela Procuradoria-Geral da República no seguimento da queixa ao DIAP, e confirmou que o salário do antigo bastonário e o de Rui Rio “nunca foram aprovados pela assembleia-geral” da OCC.

Defendendo que “as remunerações de facto estavam excessivas face àquilo que é, em regra, a remuneração de um contabilista”, a bastonária criticou ainda a “ausência” destes profissionais remunerados das eleições na OCC.

“Neste processo eleitoral, ausentaram-se completamente. Foi um processo eleitoral complicado, em que tinham [membros da Ordem, como Rui Rio] toda a responsabilidade sobre este processo. Este processo foi alargado [foi à segunda volta], prejudicou a instituição com todo o tempo que demorou e com muitas das coisas que se passaram, graves em termos de processo eleitoral em que toda a comissão eleitoral não foi isenta, e eles ausentaram-se daquilo que era a sua responsabilidade e que era esperado”, acusou a bastonária.

Sobre os salários “excessivos”, a Paula franco disse ter soluções no seu programa de candidatura, que quer por em prática: “Todas as contas da Ordem vão ser muito transparentes, vão estar disponíveis para consulta dos membros e, para além disso, vai ser divulgado trimestralmente um relatório com as contas, os fornecedores e as relações da ordem em termos de gastos, para que haja confiança e não haja ruído sobre estas questões”.

A medida mais importante é a proposta para reduzir em 30%, logo à partida, “todas as remunerações” dos órgãos sociais, e alguns passarem a senhas de presença e sem remuneração.

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