Ronaldo é tudo o que não é a nossa classe política. E é um motivo de orgulho, não apenas pelo que consegue em campo, mas pelo que faz antes de entrar no relvado, pela sua dedicação sem limites.

O que faz um Deus? Não tem a ver com religião, muitos houve que nada tiveram a ver com o assunto. Um Deus tem uns largos milhões de seguidores, uns que o veneram, outros que o adoram, outros que acreditam nele, e uns quantos milhões que o odeiam. Mas ser um Deus tem especialmente a ver com a capacidade de providenciar fé e esperança aos “fiéis”. É isso que Ronaldo tem feito a milhões de crianças por este mundo fora, muitos em condições de extrema pobreza, mas que tentam seguir as pisadas do seu ídolo em busca de uma vida melhor. Porquê?

Porque Ronaldo é o pináculo da capacidade de um humano elevar um talento acima do normal à categoria de Deus. São imensamente raros os que nascem com a genialidade de Messi, Maradona, Pelé ou Eusébio. Génios a quem uma minoria muito reduzida renega a sua qualidade, ao contrário de Ronaldo. O que Ronaldo nos deu foi a esperança de qualquer um de nós, com uma capacidade acima da média, atingir um patamar de excelência através de uma vida de trabalho muito acima do exigido. Mas isso consegue-se, já nascer génio é só para alguns.

Numa sociedade em que o estrelato mundial é dominado pela indústria musical e cinematográfica, Ronaldo, tal como no desporto, é um sobrenatural. No Facebook, a plataforma de social media mais utilizada do mundo, Ronaldo domina com 122,7 milhões de fãs. Como comparação simples, o Judaismo tem cerca de 16 milhões de seguidores, bem mais que os 103,5 milhões de Shakira ou que os 107,3 milhões do Real Madrid. No Instagram, Ronaldo atinge os 134 milhões de seguidores e só é ultrapassado pelos 138 milhões de Selena Gomez. No Twitter aparece no oitavo lugar, numa lista dominada pelo mundo da música, mas ainda assim consegue mais fãs do que o Youtube.

Essa presença permite a Ronaldo ser o activo mais valioso para os sponsors, dele e da concorrência. “Ronaldo é uma Economia de um só homem” (Forbes), que para o seu patrocinador Nike gerou nos últimos 12 meses cerca de 474 milhões de dólares de valor nas plataformas de social media (Forbes). Mais. Como o patrocinador do Real Madrid é a Adidas, Ronaldo gerou 216 milhões de dólares de valor para o rival da Nike, “culpa” dos posts com Ronaldo a usar a camisola da Adidas – quase tanto quanto Messi gerou para o seu patrocinador Adidas. Só num post no Instagram, aquando da vitória de Portugal no Euro 2016, Ronaldo gerou para a Nike 5,8 milhões de dólares.

No campo desportivo, o cenário é igualmente único para CR7, resumido nas palavras de um conhecido jornalista espanhol: “Ronaldo dominou numa era destinada a Messi dominar”. Mas mesmo antes de chegar ao Real Madrid é preciso não esquecer que Ronaldo eclipsou na importância e estrelato, o menino de ouro do Manchester e de Inglaterra, Wayne Rooney. Em Espanha, país adverso à qualificação positiva dos portugueses, Ronaldo impôs-se rapidamente e relegou para segundo plano nomes como Higuaín e Benzema.

Desde 2009/10, quando Ronaldo entrou para o Real Madrid, a equipa madrilena atingiu algo nunca antes alcançado: ultrapassou sempre a marca dos 100 golos marcados na La Liga, com excepção da última época, a menos proveitosa de CR7. Em nove épocas, Ronaldo marcou 450 golos em 438 jogos (todas as competições), com um rácio de 1.03, melhor que Raúl (0.44), que os míticos Di Stéfano (0.78) e Puskás (0.92). Deu 119 golos a marcar com outras tantas assistências tornando-se no melhor do clube nesse capítulo.

Na La Liga marcou 311 golos em 292 jogos, com um rácio de 1.065 e cerca de 32,4% de todos os golos marcados pelo Real Madrid. Ganhou quatro bolas de Ouro, três botas de Ouro, 16 títulos, por duas vezes marcou cinco golos num só jogo, por seis vezes marcou quatro golos e por 50 vezes marcou um hat-trick. E termina a sua passagem pelo Real Madrid com mais um feito inédito: tornou-se no único jogador acima dos 30 anos a custar mais do que o valor pelo qual foi comprado.

Muitos dizem que Ronaldo é arrogante, mas nunca o ouvi dizer que era a melhor pessoa do mundo, ouvi-o sim dizer que é o melhor jogador do mundo. Se os prémios que recebeu não forem suficientes para validar essa afirmação, pergunto: quantos de nós a trabalhar continuadamente de forma irrepreensível e a superar-nos constantemente, não nos consideraríamos “o melhor” no nosso trabalho?

Ronaldo é tudo o que não é a nossa classe política. CR7 é um motivo de orgulho, é um “produto” nacional de excelência, não apenas pelo que consegue em campo, mas pelo que faz antes de entrar no relvado, pela sua dedicação sem limites, pela sua estratégia de investir em si e pelos sonhos que permite a milhões de miúdos e graúdos.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.




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