Risco cibernético ganha terreno no ranking de receios dos empresários

As empresas portuguesas elegem a lenta recuperação da economia como o maior risco para o negócio. No pódio do ranking dos principais riscos também têm lugar os danos à reputação da empresa ou marca, bem como o preço das commodities.

No Top 10 dos riscos identificados pelas empresas portuguesas, compilados no “Aon Global Risk Management Survey de 2017”, destacam-se ainda o risco político (um regresso a esta lista) e o estreante risco cibernético.

Na comparação destes resultados com os de 2015, é esta estreia do risco cibernético que se evidencia. Segundo Pedro Penalva, CEO da AON Portugal, mesmo em termos globais, nas duas últimas edições, não consta nos 25 primeiros riscos. Este ano surge então no 10º lugar em Portugal e em 5º a nível global. “Não há risco que tenha tido uma evolução tão forte e tão rápida como o risco cibernético. O que não se pode dizer que seja uma surpresa mas é muito interessante quando as próprias empresas o reconhecem”, sublinha. Por outro lado, tendo em conta que se trata do terceiro risco no Top internacional, Pedro Penalva chama a atenção para o facto de o aumento do ambiente competitivo não constar sequer entre os 10 primeiros riscos identificados em Portugal.

O que se explica, em sua opinião, com o facto de “vivermos ainda num ambiente algo protegido, onde as empresas não têm uma confrontação tão forte com um conjunto de players que possam ameaçar a sua posição competitiva”. Ainda em termos comparativos, também o risco político carece de atenção já que em Portugal também não aparece nos dez primeiros. E isso, defende, “prende-se com uma menor exposição à internacionalização da nossa economia e, uma vez mais, porque uma boa parte das nossas empresas ainda vive num ambiente mais controlado, vive no seu mercado endógeno”. Portugal marca ainda a diferença, em sentido oposto, com as empresas a colocar em 6º lugar a sustentabilidade das estratégias da responsabilidade corporativa e da responsabilidade social, enquanto globalmente se ficam pela 17ª posição.

Para Pedro Penalva, o “grande inside” que esta edição do survey apresenta, ainda que se evidencie desde 2013, é “o conceito da globalização dos riscos”. “Entre uma empresa pública na América Latina e uma empresa privada na Suécia, de setores de atividade diferentes, entre os 10 maiores riscos que identificam pelo menos 5 ou 6 riscos são os mesmos. Esta lógica da globalização tem, cada vez mais, um papel fundamental porque se prende com o primado da gestão de risco: uma variável efetivamente relevante e uma forte vantagem competitiva”, explica ainda. Hoje, garante, as empresas entendem que, ao analisar os riscos, se conseguirem identificar estratégias de mitigação ou gestão, ganham uma vantagem competitiva.

“Podem então ser mais agressivas nas estratégias, mais profundas nas estratégias de internacionalização, podem avançar para outros setores de atividade, para outros produtos, podem abraçar outros meios e outros mecanismos de produção porque têm na sua organização mecanismos que permitem identificar, analisar e gerir e os riscos”, conclui.



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