Revolução 4.0 está por fazer a Norte e Centro

Custos, falta de meios e financiamento de projetos inovadores vistos como principais obstáculos. O desconhecimento também é fator negativo.

Depois de terem tido “o privilégio” de assistir, em primeira mão, à apresentação do conceito Indústria 4.0 em Hannover, na Alemanha, em 2012, os promotores da ESI – Engenharia, Soluções e Inovação, assumem que hoje corporizam o conceito. “Temos uma visão global do negócio e estamos apetrechados para o mercado global, assimilando e integrando nas nossas soluções a engenharia mais avançada. Estamos vocacionados para a execução de ‘fábricas inteligentes’, seja qual for o setor, e queremos apoiar a indústria portuguesa a transformar em valor económico um conhecimento técnico e um saber fazer que normalmente é associado ao ‘chão de fábrica’. É na transformação virtuosa do ‘chão de fábrica’ que reside o desafio maior da Indústria 4.0 para Portugal”, explica ao Jornal Económico Gil Sousa, cofundador e diretor comercial da ESI.

Questionado sobre a forma como o setor industrial português está a reagir ao impulso desta 4.ª Revolução, Gil Sousa não tem dúvidas de que, “apesar do muito que se tem feito, ainda há muito caminho a fazer”. Em seu entender, a indústria portuguesa ainda não despertou completamente para os desafios da digitalização, mas terá de o fazer rapidamente. “Seja por uma atitude de compromisso e adesão, mais ou menos voluntária, seja pelo efeito de arrastamento provocado por economias que connosco competem no mercado global. Na generalidade, temos que melhorar bastante a eficácia do processo produtivo e da organização da produção”, remata.

A corroborar esta visão, o mais recente estudo da Norgarante indica que quase dois terços dos decisores empresariais das regiões Norte e Centro não sabem o que é a Indústria 4.0, ainda que mais de 90% considerem a inovação “crucial” para o futuro das suas empresas. Esta leitura foi aferida pela referida sociedade de garantia mútua (SGM) que opera nas duas regiões, envolvendo perto de 700 participantes. Do contacto que mantêm com as mais de 22 mil empresas que constam da sua carteira de garantias vivas, os responsáveis da Norgarante afirmam que já tinham noção do défice de informação e da pouca apetência” do tecido empresarial do Norte e Centro para as questões da inovação e da digitalização da economia, antecipa a presidente da maior sociedade de garantia mútua portuguesa, Teresa Duarte.

E particularmente no Porto, Viseu, S. João da Madeira e Braga existe uma realidade ainda “mais complexa”. Apesar da capacidade industrial instalada e da qualidade do trabalho feito nas universidades e politécnicos das duas regiões, as empresas nelas sediadas “ainda não estão identificadas com as megatendências da indústria mundial, e os desafios e oportunidades que se lhes colocam” com a chamada quarta revolução industrial. Daí que “não se sintam suficientemente preparados para operar num ambiente económico em que a tecnologia e a otimização dos processos digitais de criação, fabrico e gestão se constituem em fatores críticos de sucesso”, adianta a responsável.

Porto e Braga entre os menos informados
Mais de 63% dos participantes afirmam “não conhecer o conceito Indústria 4.0”. Mas, tal como elucida Teresa Duarte, “uma maioria expressiva, acima dos 92%, reconhece que a inovação é um fator crucial” para a sustentabilidade das suas empresas e a competitividade das duas regiões, que, no conjunto, respondem por quase 60% das exportações nacionais.

Os custos associados às atividades de inovação e de investigação e desenvolvimento (I&D) são o principal fator dissuasor do investimento empresarial nestas áreas. Apesar disso, só 7,7% dos inquiridos considera a inovação como “não crucial”.

Sobre a indústria do futuro, é em Braga (81%) e no Porto (64%) que se encontram os menos informados. Depois surge Viseu, região em que, extrapolando os resultados do inquérito, 60% dos empresários não sabe o que é a Indústria 4.0. No sentido inverso, é em S. João da Madeira que se encontram os empresários mais familiarizados com este assunto, apesar de as respostas positivas terem igualado as negativas, com 50% para cada lado.

No que diz respeito às barreiras que ainda separam os empresários deste universo da inovação, e particularmente da Indústria 4.0, o estudo apurou que o peso dos custos inerentes à inovação (34,2%), a falta de meios e recursos endógenos vocacionados para essa vertente (27,5%), a dificuldade na obtenção de financiamento para investir nesta área (18,7%) e o desconhecimento das entidades aptas a apoiar as empresas inovadoras (11,7%) são os principais óbices para os decisores empresariais, na sua esmagadora maioria ligados a micro, pequenas e médias empresas instaladas nas subregiões NUTS III da Área Metropolitana do Porto, Cávado, Ave e Viseu Dão-Lafões.

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