Respostas Rápidas: O que se está a passar nos CTT?

Perceba o que levou uma das empresas mais emblemáticas do País a estar sob fogo cerrado dos sindicatos e trabalhadores e da maioria parlamentar que apoia o Governo, enfrentando uma greve de dois dias nas vésperas de Natal.

Que efeitos terá a greve dos CTT?

Os trabalhadores dos CTT vão estar em greve na quinta e na sexta-feira (21 e 22 de dezembro) por melhores condições de trabalho e pela manutenção dos empregos. Tendo em conta que foi convocada pelas duas centrais sindicais, a CGTP e a UGT, a paralisação deverá ter forte impacto e atrasar a distribuição de cartas e de outras encomendas postais nesta quadra natalícia, considerada uma das épocas altas do ano para o sector da distribuição postal. Prevê-se, também por isso, uma transferência dos pedidos para outros concorrentes dos CTT a operar no mercado nacional. A greve e este desvio de clientes constituirão perdas para os CTT, cuja contabilidade será efectuada posteriormente.

Por que foi marcada a greve?

Quer o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, filiado na CGTP, quer o Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços (SINDETELCO), filiado na UGT, explicam que a justificação desta greve se prende com a degradação do serviço dos CTT, que acusam de incorrer em constantes atrasos e de ser alvo de condenações consecutivas por parte do regulador, a Anacom.

Os dois sindicatos também querem evitar que avance o plano de reestruturação dos CTT, apresentado ontem pela administração da empresa.

O que prevê o plano de reestruturação dos CTT?

Este plano de reestruturação inclui a redução das remunerações da administração, a redução de cerca de 800 postos de trabalho a tempo inteiro ao longo de três anos, “em consequência da queda do tráfego do correio”. Esta redução aplica-se a um total de 6.700 funcionários nos CTT, dos quais 6.200 efetivos e perto de 500 contratados a termo. Anteriormente, já havia sido anunciada pela empresa uma redução de cerca de 200 trabalhadores, dos quais 140 já aceitaram sair da empresa. O plano de reestruturação tem custos totais estimados em cerca de 25 milhões de euros e prevê ainda o encerramento de balcões, a venda de imóveis e congelamento de salários de trabalhadores.

Os CTT vão regressar à esfera do Estado?

O resgate da concessão dos CTT e o regresso da empresa à esfera do Estado tem sido um cenário colocado em cima da mesa nos últimos dias, mas tudo depende do Governo. Ainda há poucos minutos, o primeiro-ministro António Costa garantiu no debate quinzenal da Assembleia da República que não é intenção do Executivo nacionalizar os CTT. No entanto, é essa a intenção assumida pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. E o próprio grupo parlamentar do PS tem sido bastante crítico da actual gestão da empresa, tendo entregue na semana passada um requerimento para a audição sobre a qualidade dos serviços dos CTT – Correios de Portugal. Portanto, se o chefe de Governo não quer nacionalizar, mas se os três partidos que apoiam o atual Governo atacam o modelo de gestão dos CTT, o futuro da empresa permanece uma incógnita que só deverá ser solucionada em 2018.

A atual concessão dos CTT termina em 2020.

O que se pretende com a audição parlamentar sobre os CTT? 

A intenção é ouvir os responsáveis da entidade de supervisão, a ANACOM, assim como a administração dos CTT, os sindicatos e comissões de trabalhadores e de utentes dos CTT, a Associação Nacional de Municípios, a ANAFRE (associação das Juntas de Freguesia), bem como os Governos Regionais dos Açores e da Madeira. Agora, com o plano de reestruturação como pano de fundo. O PSD e o CDS, que conceberam o processo de concessão do serviço dos CTT a privados estão contra a nacionalização, embora os seus votos atuais não tenham peso para tomar uma posição decisiva sobre a questão. 





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