Remoção de opção de mais estímulos reflete maior confiança, diz Draghi

Reunião do Conselho de Governadores do BCE trouxe uma surpresa, mas o presidente da instituição sublinhou que não devemos ver a decisão inesperada como um sinal sobre o futuro.

Yves Herman/Reuters

O Banco Central Europeu está mais confiante nas perspetivas do crescimento e portanto decidiu retirar a referência à possibilidade de acelerar estímulos. Segundo o presidente da instituição já era pouco provavel que a opção fosse acioniada.

A reunião do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu trouxe uma surpresa, mas o presidente da instituição sublinhou que não devemos ver a decisão inesperada como um sinal sobre o futuro.

No comunicado após a reunião de política monetária, o BCE deixou cair a referência sobre a possibilidade de, no caso do outlook se tornar menos favorável ou de as condições financeira se tornarem inconsistentes com mais progresso em direção ao ajustamento sustentável no percurso da inflação, o Conselho de Governadores estar pronto a aumentar o aumento no programa de compras em termos de tamanho ou duração.

A reação imediata dos mercados foi de ler a decisão como mais um passo em direção à normalização da política monetária, com vista à redução de estímulos. O euro subiu, mas acabou de depreciar-se rapidamente, castigado por queda maior do esperada nas encomendas industriais na Alemanha e pela previsão pouco otimista do BCE sobre a inflação.

Pelo meio, Draghi explicou a decisão de remover a referência sobre o que chama de easing bias – a possibilidade de mais estímulos.

“Foi uma decisão que olha para trás, sem sinais ou implicações sobre as nossas expetativas ou sobre a nossa função de reação”, disse, em conferência de imprensa em Frankfurt. “Foi uma decisão unânime do Conselho e não houve grande discussão sobre outras alterações”.

Questionado sobre o que é que mudou para o BCE tomar essa decisão agora, o italiano focou nas perspetivas de crescimento. “Tivemos várias revisões ao outlook do crescimento e ao mesmo tempo um estreitar do caminho de convergência e da variação da inflação, o que basicamente explica o porquê de estarmos confiantes. Confirmou a confiança que já tinhamos, foi essa a discussão, e foi essa a razão”.

No discurso proferido antes da conferência, Draghi já tinha explicado que os dados económicos e os resultados de sondagens mostram indicam que o ritmo de crescimento forte e  abrangente está a continuar, que as medidas de política monetária estão a suportar a procura interna, o consumo está a ser apoiado pelo aumento do emprego, o investimento empresarial está a fortalecer e o crescimento global está a ajudar as exportações da zona euro.

Essa avaliação foi reflectida também nas novas projeções macroeconómicas divulgadas hoje pelo staff do BCE. O Produto Interno Bruto deverá crescer 2,4% em 2018, face à previsão de 2,3% na projeção de dezembro. Para 2019 e 2020, o BCE continua a estimar expansões de 1,9% e 1,7%.

No entanto, o BCE explicou que a inflação permanece contida – desceu para 1,2% em fevereiro, de 1,3% no mês anterior, e deverá “flutuar” perto dos 1,5% no resto do ano. No médio prazo, os preços deverão acelerar. O banco central manteve inalterada a estimativa da inflação este ano para 1,4% e de 1,7% para 2020, mas reviu em ligeira baixa a previsão para 2019, que é agora de 1,4% face anteriores 1,5%.

Draghi frisou que se lermos as palavras do texto em relação ao Quantitave Easing (programa de estímulos ) que foi removido, podemos ver que “já era uma contingência bastante improvável, uma que sugeria que pudéssemo ativar o easing bias, portanto foi essa a razão”.

O presidente do BCE sublinhou ainda que nada mais mudou, o Conselho de Governadores continua a prever que as taxas de juro fiquem nos níveis atuais por um período alargado e bem além do programa de compra de ativos. Explicou ainda que esse programa vai continuar na base atual – 30 mil milhões por mês – até setembro ou até mais tarde.

 






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