Regresso de Donald Trump ao protecionismo provoca fratura na Casa Branca

O gabinete do presidente dos Estados Unidos está a dividir-se entre os que apoiam o seu nacionalismo económico e os que são claramente contra. A pergunta é até que ponto conseguirá Trump governar num ambiente de crispação.

Carlos Barria/Reuters

O compromisso cada vez mais evidente do presidente norte-americano para com o nacionalismo económico – que pode chegar a uma guerra aduaneira com o resto do mundo – está a fazer estragos um pouco por todo o lado e a própria Casa Branca, segundo a imprensa do país, já não é uma exceção.

Apesar de ser uma promessa eleitoral, a investida de Trump em favor do protecionismo e o consequente regresso aos impedimentos aduaneiros ao livre comércio começaram por abalar desde logo Wall Street – que não gosta de nenhum entrave à globalização – passando pelos parceiros comerciais, para agora chegarem ao seu próprio gabinete.

A queda do influente conselheiro Gary Cohn, uma das figuras mais respeitadas do Executivo, é um indicador dessa involução. O presidente, novamente, aposta na turbulência.

A retórica de Trump – que em termos práticos passou pelo aumento das tarifas para o aço (25%) e para o alumínio (10%) – regressou às mais de 55 mil fábricas que foram à falência, aos mais de seis milhões de empregos que desapareceram na indústria e ao monumental défice comercial acumulado (12 triliões de dólares).

Mas, depois de uma vitória clara da presidência na área fiscal, o gabinete está pouco entusiasmado com a questão do protecionismo. Tanto o influente Gary Cohn como o secretário do Tesouro Steven Mnuchin participaram ativamente no plano tributário – mas durante esse período tentaram conter os impulsos de Trump para desencadear uma guerra comercial. Os secretários da Defesa, Jim Mattis e do Estado, Rex Tillerson, participaram nessa tentativa, não querendo inaugurar um período de incerteza que poderia acabar por afetar a segurança nacional e a fluência diplomática junto dos países aliados.

Em fevereiro, Trump chamou o diretor do Conselho Nacional de Comércio, Peter Navarro – considerado um extremista parecido com o maquiavélico e entretanto desaparecido (da Casa Branca) Steve Bannon – e colocou-o à frente do seu plano de encerramento comercial das fronteiras. Navarro, juntamente com o implacável negociador do Acordo de Livre Comércio da América do Norte, Robert Lighthizer, e o secretário do Comércio Wilbur Ross, estavam na linha da frente.

A resistência, até agora, falhou. Cohn renunciou e as pressões de Mattis e Tillerson não deram em nada. E nem as petições do Partido Republicano – pela voz dos líderes conservadores no Senado, Mitch McConnell, e no Congresso, Paul Ryan – surtiram qualquer efeito.

Para já, Donald Trump mantém-se irredutível, mas os analistas questionam até quando é que o presidente dos Estados Unidos conseguirá continuar a governar com um gabinete que está cada vez mais dividido em duas partes confrontantes.




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