Quanto custou à Web Summit o jantar no Panteão Nacional?

O encerramento com os fundadores da cimeira tecnológica está a criar polémica pela escolha do local. Apesar de a utilização do Panteão ser autorizada e ter uma tabela de preços, o Governo já garantiu que não volta a acontecer.

A escolha do Panteão Nacional para o jantar de encerramento com os fundadores da Web Summit está a criar polémica, mas o aluguer do espaço é autorizado. Um regulamento datado de 2014 determina os preços do uso de museus, palácios e monumentos nacionais com objetivos promocionais, de divulgação cultural, filmagens e outros, mas com salvaguarda “da dignidade” destes locais.

“Todas as atividades e eventos a desenvolver terão de respeitar o posicionamento associado ao prestígio histórico e cultural do espaço cedido”, refere o Regulamento de Utilização de Espaços nos serviços dependentes da Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

No caso do Panteão Nacional, há uma lista de eventos permitidos disponível online que inclui atos solenes e de caráter cultural, banquetes e receções. Os preços podem atingir os 5.000 euros, por evento para fins comerciais, a realizar-se na zona central do edifício, sob a cúpula.

Eventos culturais recebem um desconto e o preço desce para 1.500 euros pelo mesmo evento. Para jantares, o preço varia consoante a localização e vai desde os 1.500 euros no coro alto até aos 3.000 euros no corpo central.

Alugar a sala sul e o terraço custa entre 750 euros (eventos culturais na sala sul) e 5.000 euros (evento comercial no terraço), enquanto uma sala de formação ou o laboratório do Museu Monográfico de Conímbriga custam apenas 50 euros.

O Regulamento de Utilização de Espaços nos serviços dependentes da Direção Geral do Património Cultural vai, no entanto, ser revisto pelo Governo, depois de um jantar para convidados da Web Summit.

Este sábado, o primeiro-ministro considerou o evento como uma utilização “absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”. Em comunicado, o gabinete de António Costa disse que “é ofensivo utilizar desse modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional”.

Costa justificou que o regulamento em questão provém de um “despacho proferido pelo anterior Governo”, ou seja de Pedro Passos Coelho. O Presidente da República referiu que a decisão do Governo de reavaliar o regulamento é “sensata”.





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