Programa de Estabilidade: PCP diz que é “sujeição”, Bloco pede mais investimento

PCP critica como "sujeição a Bruxelas" o Programa de Estabilidade, discutido no parlamento dia 19, mas comunistas já indicaram que não tencionam levar o documento a votação. Bloco diz que "cumpre genericamente" acordo com o PS.

Os principais partidos de esquerda que suportam a maioria parlamentar, Bloco de Esquerda (BE) e PCP, já reagiram às declarações desta quinta-feira do ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre o Programa de Estabilidade.

O BE diz que o Programa de Estabilidade do Governo “cumpre genericamente” o acordo com o PS, ainda que não conheça os “detalhes”, uma vez que o documento só será discutido no Parlamento na próxima semana, dia 19.

“O que ficou claro até agora é que este novo Programa cumpre genericamente aquilo que estava previsto no acordo entre o BE e o PS”, disse a deputada do BE, Mariana Mortágua.

Para os bloquistas o país retira vantagens de fazer frente à Comissão Europeia, defendendo que o Programa de Estabilidade deveria “dar um sinal de mais investimento público e investimento nos serviços públicos”.

Já o PCP considera que é uma “sujeição” às “imposições” das instituições europeias, mas rejeita a ideia de pôr o documento a votação.

“A simples apresentação do Programa de Estabilidade representa, por si só, uma sujeição às imposições da União Europeia que o PCP rejeita. O Governo assume como prioridade a redução do défice orçamental e a consolidação das contas públicas. Para o PCP, a prioridade é a resposta aos problemas nacionais”, disse o deputado comunista Paulo Sá, em declarações aos jornalistas.

Para os comunistas “não é possível compatibilizar” o cumprimento das regras da União Europeia, uma vez que “significa deixar a resolução de problemas do país para trás: a produção nacional, a valorização do trabalho e dos trabalhadores, a elevação da qualidade dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, o investimento”.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou acreditar que o Programa de Estabilidade, aprovado esta quinta-feira em Conselho de Ministros “não terá nenhuma dificuldade em ser acolhido” pela Comissão Europeia.

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