Principal desafio do vinho português é o preço de venda

Conferência promovida pela Universidade Católica conclui, também, que a marca Portugal tem melhorado e que o sector dos vinhos tem de aproveitar.

Regis Duvignau/Reuters

O principal desafio do vinho português é conseguir uma perceção de valor que permita o aumento do preço médio. Esta é uma das conclusões da primeira edição do ciclo de conferências Breakfast@Católica, promovido pela Universidade Católica Portuguesa, dedicado ao tema “os vinhos como marca portuguesa no mundo”.

Alexandre Relvas, acionista e administrador da Casa Agrícola Alexandre Relvas, diz que o sector se tem desenvolvido, que a imagem do país e dos vinhos portugueses melhorou, com reflexo nas exportações, mas que “um dos desafios que existe é o do aumento do preço médio”.

“A maior parte dos operadores vão para o mercado e deparam-se com um problema, que é o vinho português estar posicionado num segmento com preço baixo e sem espaço de prateleira”, apontou Bernardo Gouvêa, director-geral da Adega Cooperativa de Redondo. “A questão não é o produto, que é de altíssima qualidade, mas a imagem”, disse.
Catarina Moura Reis, Brand Manager da Esporão, diz que, pela experiência acumulada com a receção de visitantes na Herdade do Esporão, nem sempre existe a perceção do que se faz em Portugal. “Quando nos visitam, não têm a perceção da capacidade dos vinhos portugueses”, disse.

Apesar de tudo, todos os participantes concordam que a situação tem evoluído e que, hoje, tanto Portugal como o vinho português gozam de melhor imagem.

O vice-reitor da Universidade Católica, Miguel Athayde Marques, diz que “o vinho é uma afirmação da qualidade de Portugal e da sua modernidade” e um embaixador do país.

“Os vinhos beneficiam fortemente a marca Portugal, mas também contribuem para a marca Portugal”, defende Alexandre Relvas. O gestor diz que as exportações de vinhos portugueses estarão a crescer 9%, acima do ritmo de crescimento do conjunto das vendas portuguesas ao exterior, tendo-se recuperado mercado em Angola e no Brasil, depois das quebras verificadas no período inicial de crise nestes países, nos últimos anos.

Nos países do norte da Europa, a perceção já é diferente, garante Pedro Foles, da Adega Mayor. Como vai sendo com o aumento do turismo e do conhecimento sobre a oferta de vinhos portuguesa, numa “onda que é preciso aproveitar”, diz Bernardo Gouvêa.

O ciclo de conferências Breakfast@Católica, do qual o Jornal Económico é media partner, prossegue no dia 7 de dezembro, com um encontro que terá como tema “A Indústria e os Desafios da Internacionalização”.



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