Premier League: pode o Brexit acabar com a melhor Liga do Mundo?

É uma das ‘galinhas dos ovos de ouro’ da economia britânica e, aos 25 anos de idade, está num momento de indefinição ímpar: o Brexit vai permitir reduzir a elevadíssima percentagem de jogadores estrangeiros na Premier League (70%) e apostar nos jovens jogadores ingleses. No entanto, essa situação pode levar a um decréscimo de qualidade da Liga e a uma quebra nos patrocínios e contratos televisivos.

Carl Recine/Reuters

Com 25 anos de idade, completos em 2017, a Premier League conjuga o futebol-espetáculo com um modelo de gestão ímpar. Estes dois fatores têm sido pedras basilares no crescimento de uma Liga que, na sua génese, pretendia apenas acabar com o marasmo em que se tinha tornado a principal competição a então ‘Football League’. A sua criação, processo no qual Rick Parry (entrevistado em exclusivo pelo Jornal Económico nesta edição), contemplava uma melhoria de condições dos clubes ingleses e não o sucesso avassalador e a chegada ao topo como melhor liga de futebol do mundo.

Para se perceber o impacto económico que esta competição tem no Reino Unido, os números da consultora Ernst & Young recolhidos no final da temporada de 2013/14 são verdadeiramente impressionantes e muito longe de tudo o que se conhece no panorama futebolístico mundial. No final dessa temporada (e estes números estão naturalmente desatualizados), a Premier League contribuiu com o pagamento de 2.800 milhões de euros em impostos, dava trabalho a 100 mil pessoas e contribuiu com 3.900 milhões de euros para o Produto Interno Bruto. Na época de 2013/14, registou-se a visita de 800 mil turistas que colocaram o Reino Unido na sua rota de viagem apenas para assistir aos espetáculos de futebol proporcionados pelos jogos da Premier League. Resultado: a média de lotação dos estádios da Premier League atingiu 95,9% da sua capacidade com uma média de assistência de 36,691 espectadores.

Direitos televisivos na base do sucesso

Ainda nesta temporada, e no que concerne aos direitos televisivos, a Ernst & Young constatou que a Premier League chegou a mais de 730 milhões de casas em 185 países, gerando uma receita de mais de 820 milhões de euros, só no que diz respeito à venda internacional dos direitos de televisão. E é aqui que reside um dos factores diferenciadores desta Liga e se cumpre o princípio que os fundadores da Premier League definiram na sua criação: “Se o produto é bom, vão comprá-lo”. Em 1987/88, os direitos de televisão dos jogos referentes ao principal campeonato inglês representavam 12,5 milhões de euros, sendo que em 2013/14, a evolução destas cifras surpreendeu o mundo do futebol: perto de 2 mil milhões de euros.

E se em 2013/13 estes números já eram algo inimaginável, a verdade que é que a Premier League prepara-se para por à venda os direitos de transmissão televisiva do principal escalão do futebol inglês, para as épocas entre 2019 e 2022. Em concurso estão 200 partidas da Premier League, mais 32 do que a totalidade dos jogos actualmente transmitidos pela Sky e BT Sports. Estima-se que o negócio chegue aos 6,7 mil milhões de euros. Assim, estima-se que a Sky e a BT Sports tenham que ‘abrir os cordões à bolsa’ para manterem os direitos televisivos da Premier League, que representam atualmente 32% do negócio televisivo dos dois canais britânicos, visto que na corrida prevê-se a entrada da Amazon, Facebook, Netflix e até do Twitter, segundo o organismo Ampere Analysis. A Premier League vai colocar à venda sete modalidades de transmissão, sendo expectável que a Sky adquira entre quatro a cinco pacotes e a BT Sports outros dois ou três. Estima-se que apareça um terceiro licitante a adquirir, pelo menos um dos sete pacotes. E o mais provável é que seja a Amazon.

Vem aí o Brexit. E agora?

Em Inglaterra, as regras para obter um visto de trabalho são extensas e exigem que os clubes demonstrem que o atleta está estabelecido ao nível internacional. Assim, esta exigência tem como objetivo garantir que o futebolista contratado vai acrescentar (ainda mais) valor à Premier League. O Brexit está ‘a bater à porta’ da Premier League e prevê-se que as barreiras que esta saída coloca ao futebol inglês passem por dar oportunidades para que os jovens jogadores provenientes da segunda liga inglesa. A Premier League está num momento de definição que pode levar a um decréscimo de qualidade da Liga, com naturais consequências para os contratos publicitários e para os direitos televisivos.

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