Preços baixos? Promoções? É preciso muito mais para atrair consumidores

Numa época em que os mais recentes estudos demonstram que o consumidor português está mais confiante, coloca-se uma questão – para onde caminha o consumidor?

Numa época em que os mais recentes estudos demonstram que o consumidor português está mais confiante, coloca-se uma questão – para onde caminha o consumidor? Em 2011, um ranking da Nielsen mostrava que os preços baixos e as promoções ocupavam apenas, respetivamente, a 18ª e a 17ª posição entre os 26 atributos mais diferenciadores para a escolha de uma loja. Em 2016, estas posições mudaram claramente, passando os preços baixos a ocupar o 3º lugar e as promoções o 7º.

Em 2017, as promoções voltaram a atingir valores máximos: 45% das vendas são em promoção. Mas essa relevância do fator preço deve-se em grande parte à guerra de promoções a que temos assistido nos últimos anos, e de que é hoje difícil sair. Assim, há que entender que outros fatores poderão fazer a diferença no momento da compra, para além do preço.

Saúde e Conveniência

“É importante compreender que, apesar de o consumidor português procurar preços baixos, existem outras variáveis que serão valorizadas e nas quais os retalhistas e as marcas devem apostar. O consumidor atual mostra novos interesses e está disposto a pagar mais para os satisfazer”, explica Ana Paula Barbosa, Retailer Services Directorna Nielsen.

Segundo Ana Paula Barbosa “há que começar por entender quais são as verdadeiras tendências de consumo, aquelas que não estão ligadas a fatores conjunturais externos e que refletem as características que vão continuar a ser decisivas para a compra nos próximos anos. É esta a diferença entre Tendência e Turbulência”.

Uma das importantes tendências a ter em conta é, sem dúvida, os hábitos alimentares dos consumidores. Graças a uma população mais envelhecida, ao diagnóstico de doenças crónicas, à maior valorização dos alimentos funcionais e à informação a que o consumidor está cada vez mais exposto, as categorias de alimentação saudável mostram ser uma tendência e o seu crescimento é notório.

Hoje verificamos uma crescente procura de produtos relacionados com a saúde, como é o caso dos iogurtes biológicos (+136%), do muesli e da granola (+84%) ou dos cereais diet (+72%). De acordo com o relatório “Health and Ingredient-Sentiment Survey”, da Nielsen, 66% dos portugueses estão dispostos a pagar mais por produtos sem ingredientes indesejáveis.

Um maior poder de compra associado a um ritmo de vida mais intenso resultaram também numa maior procura de categorias de conveniência, como é o caso dos frutos congelados (+30%), dos componentes refrigerados (+19%), do take away (+18%) e do bacalhau congelado (+16% com uma quebra de -14% no bacalhau seco).

Millenials vs Seniores: atenção às diferenças

Os consumidores seniores destacam-se por uma maior frequência de compra enquanto os millenials, embora com menor frequência, apresentam um maior gasto por ocasião de compra (21,1€ vs 17,1€). Também relativamente às promoções, estes targets são distintos: são os millenials aqueles que mais compram em promoção, comparando com os seniores. No tipo de categorias procuradas encontram-se diferenças relevantes. Enquanto os millenials procuram essencialmente produtos de mercearia, lácteos, e higiene, os seniores dão especial importância aos produtos frescos.

 

 

PUB
PUB
PUB