Portugal vai formar para indústria automóvel do futuro

Um consórcio de sete instituições ganhou um projeto da Comissão Europeia que vai qualificar mão de obra para o setor.

Toru Hanai/Reuters

A Comissão Europeia estima que até 2025 será necessário preencher mais de 900 mil postos de trabalho no setor, cerca de metade dos quais exigirão qualificações de alto nível. Com uma força de trabalho envelhecida e sem possuir os perfis de ciência, tecnologia e matemática dos empregos da área da Engenharia, o automóvel enfrenta forte concorrência de outros setores na captação de recursos qualificados, com a desvantagem, por exemplo, para a indústria aeronáutica.

Na ausência de recursos em número suficiente há que formá-los. Esse é o propósito do projeto DRIVES. Do original em inglês Development and Research on Innovative Vocational Education Skills, contempla quatro milhões de euros, dos quais uma fatia de cerca de 600 mil euros vão chegar a Portugal, trazidos por um consórcio integrado pela Câmara Municipal de Mangualde, Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal, Grupo Antolín, Instituto Politécnico de Viseu, Universidade do Minho, IDESCOM e Eupportunity.

“Não basta ter uma óptima workforce hoje se não a tivermos daqui a cinco anos para que possa produzir os produtos do futuro”, sublinha ao Jornal Económico Henrique Burnay, partner da Eupportunity. Esta consultora portuguesa em assuntos europeus com escritório em Bruxelas, associada a 23 parceiros de 11 países, integra o consórcio de ensino profissional e a plataforma que vai delinear políticas de qualificação profissional na indústria automóvel, a nível europeu.

O objetivo é formar recursos humanos que garantam inovação face às ameaças trazidas pela globalização e pela digitalização. Com efeito, padrões de emissão mais rigorosos e novos conceitos de mobilidade, uso crescente de conectividade e tecnologias digitais nos veículos, mudanças no hábito dos consumidores, deslocalização para países de mão de obra barata e desenvolvimento dos sistemas de fabrico estão a pressionar a um ritmo nunca anteriormente sentido indústria, empregadores, governos, autarquias.

“A Câmara Municipal de Mangualde identificou as necessidades estratégicas para a região, mobilizando o Instituto Politécnico de Viseu e a Universidade do Minho para se envolverem como entidades formadoras e criadoras de planos de formação adequados ao setor automóvel”, explica-nos Henrique Burnay.

As duas instituições de ensino vão participar na criação de módulos de formação de acordo com a evolução tecnológica da indústria automóvel, uniformização curricular, realização de ações e criação de plataformas eletrónicas de ensino. A Universidade do Minho pontifica no projeto através do Centro de investigação ALGORITMI, que vai assumir um papel relevante no futuro quadro de competências e na sua transmissão.
José Machado que lidera este projeto na academia explica ao Jornal Económico: “A Universidade de Minho estará envolvida no estabelecimento de um conjunto de competências e de boas práticas, aproveitando a sua experiência de ensino e de formação avançada (por exemplo o seu programa doutoral de Sistemas Avançados de Engenharia para a Indústria), ajudando a estabelecer o “campus online”, tornando-se parte duma plataforma de conhecimento compartilhado e contribuindo para a elaboração de materiais de formação adaptados.” Ao que acrescenta o professor, a Universidade, vai colaborar igualmente no estabelecimento e na aplicação de serviços europeus de certificação e de qualificação.

Por seu turno, a IDESCOM será o parceiro de referência na classificação e homologação da formação pan-europeia, interface com instituições de ensino, indústrias, serviços e associações. Compete-lhe, procurar talento e apoiar o recrutamento de mão de obra especializada.

A Eupportunity fez a agregação dos parceiros nacionais integrando as suas competências em complementaridade com as atividades de parceiros internacionais.

Este financiamento europeu vem colocar Portugal na linha da frente da formação e qualificação profissional neste importante setor da economia, que é o automóvel.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão




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