Especial 2018: Portugal pode ser campeão mundial na Rússia?

Portugal tem hipóteses, mas a possibilidade de a seleção portuguesa vencer o Campeonato do Mundo de futebol de 2018, na Rússia, será muito mais difícil de concretizar do que foi a vitória do Euro 2016.

O selecionador nacional já mostrou ter a ambição de vencer o torneio, ao afirmar que a “Portugal compete procurar em cada jogo vencer”, no dia em que soube que a seleção vai defrontar as congéneres de Espanha, Marrocos e Irão na fase de grupos do Mundial 2018. Mas que nenhum adepto se iluda: repetir o feito de 2016, ainda que possível, será uma tarefa hercúlea para a turma de Fernando Santos.

Primeiro, o Mundial reúne os melhores futebolistas do planeta e coloca mais equipas em competição do que um Campeonato da Europa e, segundo, nenhuma seleção passará a fase de grupos no terceiro lugar. Em 2018, Cristiano Ronaldo e companhia terão que jogar muito à bola para fazer boa figura na Rússia.

Portugal participará pela primeira vez num Mundial como um dos favoritos, ainda que seja um favoritismo circunstancial. A equipa das quinas, que termina o ano de 2017 como a terceira melhor seleção no ranking da FIFA, vai para a Rússia com o título de campeão europeu e, por isso, é um dos cabeças de série.

E se acrescentarmos, que embalados pelas nove vitórias em dez possíveis na fase de apuramento e com Cristiano Ronaldo motivado com a conquista da quinta Bola de Ouro (aliás, se o Real Madrid não vencer nada em 2018, o Mundial pode ser o único motivo a pôr CR7 na luta pela sexta Bola de Ouro) a equipa nacional poderá fazer esquecer a triste prestação no Mundial de 2014, no Brasil.

Mais, observando a experiência dos imprescindíveis Rui Patrício, Pepe, Quaresma e Cristiano Ronaldo aliada à jovialidade dos convocáveis Gelson Martins, Bernardo Silva e André Silva e conhecendo a experiência de Fernando Santos, que alcançará na Rússia a sua quinta presença consecutiva numa fase final, entre torneios da FIFA e UEFA, podemos antever aquela que será, provavelmente, a seleção portuguesa mais bem preparada de sempre para uma fase final de um mundial.

E o facto de a seleção nacional não falhar uma fase final de um grande torneio de seleções desde o ano 2000, ajuda a aumentar os níveis de confiança de Portugal para o torneio da FIFA.

O único senão para Portugal, além do fuso horário e do clima russo, que são diferentes ao que o jogador português está habituado, poderá estar na convocatória. Tudo dependerá da condição física de cada um dos 40 jogadores convocados pelo selecionador, durante a fase de apuramento, no final da época. Mas em condições normais, reconhecendo o equilíbrio entre a experiência e a juventude que reina no balneário nacional, os 23 eleitos de Santos serão uma mais-valia.

Com uma média de idades de 25,9 anos, Portugal terá em Rui Patrício um guarda-redes resoluto. Na linha defensiva a experiência de Pepe, Bruno Alves e José Fonte poderá encontrar na jovialidade dos convocáveis Nelson Semedo, Ricardo, Cancelo ou Raphael Guerreiro uma boa combinação para uma defesa imbatível. Contudo, é no eixo da defesa que poderão surgir problemas, caso surjam imprevistos. É que não há, atualmente, alternativas de qualidade idêntica a Pepe, Alves ou Fonte.

No meio campo, a reconhecida qualidade de jogo de jogadores como William Carvalho, Moutinho, João Mário ou até Bruno Fernandes – uma das revelações da presente temporada – poderá ser a engrenagem ideal para um estilo de jogo mais ofensivo dos “batidíssimos” Nani e Ricardo Quaresma ou dos talentosos Bernardo Silva e Gelson Martins.

Tudo isto, aliada à influência inestimável do jogo de CR7 e à sede de golos de André Silva – totalista na fase de apuramento do Mundial a par de Rui Patrício – conferem, teoricamente, a Portugal uma capacidade única de fazer boa figura na Rússia.

Portugal pode aspirar à vitória, mas, historicamente, não tem qualquer obrigação de alcançar o título mundial. Primeiro, porque não o vai defender e, segundo, porque em vinte edições realizadas do Campeonato do Mundo, a seleção nacional participou em seis ocasiões apenas. Os melhores resultados foram obtidos em 1966, com Eusébio e companhia a conquistar o terceiro lugar no torneio, e em 2006, com a equipa das quinas orientada por Luiz Felipe Scolari a alcançar o quarto lugar na competição da FIFA.






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