Portugal emite 1.250 milhões em dívida a curto prazo com taxas em mínimos históricos

Portugal colocou o montante máximo indicativo. As taxas continuaram em terreno negativo e até desceram face aos leilões anteriores. A procura foi forte.

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O IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) emitiu 250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) a três meses e mil milhões em dívida a 11 meses, com as taxas a descerem no leilão desta quarta-feira.

Na maturidade mais longa a taxa média ponderada desceu para –0,096% face aos -0,047% numa venda de maturidade semelhante a 18 de janeiro, enquanto nos BT a três meses a taxa foi de -0,219%, face aos -0,012% num leilão em outubro do ano passado.

A procura nos BT a 11 meses foi de 1,9 vezes a procura, comparada com 1,6 vezes no leilão em janeiro, enquanto na maturidade mais curta a procura disparou para 4,08 de 3,4 vezes em outubro.

“Portugal acompanha a curva das taxas de dívida de curto prazo que se verifica na Europa, aproveitando para emitir com taxas negativas, o que é sempre positivo para o país. No caso da emissão de dívida a 3 meses,  a descida da taxa foi bastante acentuada e levou-nos para mínimos históricos –  Portugal nunca se financiou a taxa tão baixa como esta. De qualquer modo, não foi surpresa, uma vez que o mercado secundário tem estado com as taxas negativas para a dívida de curto prazo”, disse Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

Tiago da Costa Cardoso, gestor da corretora XTB, sublinhou que Portugal alcançou taxas mais baixas do que na última emissão, mas adiantou que “apesar de ser positivo este novo ‘rollover’ de dívida, falamos de um valor bastante pequeno, 250 milhões de euros a três meses e mil milhões a 12 meses, algo que não traz um impacto muito grande ao bolo global do pagamento de juros de dívida. Ainda assim, acaba por obviamente ser positiva esta emissão, pois a expetativa de ter juros negativos mais baixos foi alcançada”.

O leilão ocorre numa altura em que as taxas da dívida de longo prazo benchmark, ou seja a 10 anos e que é vista como indicador do risco soberano, negoceiam acima dos 4%, valores semelhantes aos de 2014. Enquanto alguns analistas acreditam que ultrapassar a barreira dos 4% é um risco para a dívida pública nacional, a presidente do IGCP afirmou no início da semana que taxas da dívida a 4% são aceitáveis e historicamente normais.

A aceleração da inflação na zona euro e a incerteza em relação ao programa de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), incluindo a dúvida sobre se o BCE começará a reduzir de forma gradual o ritmo de compras de ativos dentro de alguns meses, são os principais fatores apontados para a subida das taxas.

Com o aproximar do fim do programa de compras do BCE, há ainda receios que o banco central possa estar a atingir os limites estipulados para a compra de dívida nacional em certas maturidades, um limite de 33% para cada linha.

O banco liderado por Mario Draghi já travou a fundo nas compras de bonds portuguesas em janeiro para 688 milhões de euros – menos de metade do pico registado em maio de 2015 (1.451 milhões de euros), confirmando uma tendência descendente desde novembro.

No último leilão de dívida pública, que aconteceu na passada quarta-feira, o Tesouro emitiu 630 milhões de euros em obrigações (OT) a cinco anos e 550 milhões a sete anos. No prazo mais curto, a taxa na venda de dívida subiu para 2,753% enquanto no papel a sete anos a yield foi de 3,668%. O montante total emitido, 1.180 milhões de euros, ficou próximo, mas abaixo do máximo indicado.

[Notícia atualizada às 11h03]

  • José, Província

    O melhor seria colocar toda a divida em BT, é que ao contrario das OT de LP que tem elevadíssimas, o CP está a dar dinheiro. O melhor seria colocar os 240 mil milhões a 3 meses.

    • Ricardo Almeida

      Era bom, mas a procura só dava para uns 5 mil milhões ;) e duvido que fosse tudo a taxas negativas… Nao sei quais sao as comissoes e despesas que se paga para emitir divida, mas se compensar, Portugal deve emitir muito mais dívida de curto prazo… Mete no banco, paga daqui por 3 meses e ainda tem lucro :D Dúvido que hajam investidores para fazer isto todas as semanas :p mas era engraçado reduzir a dívida via pedido de mais empréstimos…

      • pasteldenata

        Era demasiado perigoso e o lucro seria mínimo. Uma parte das emissões são feitas directamente para a banca que recebe uma comissão pelo serviço. Essa comissão nunca é inferior a 0,5% do valor emitido.

    • pasteldenata

      E pagar 60000 milhões em comissões? Teriam de colocar 300000 milhões e andar a fazer o roll over de 6 em 6 meses, a pagar mais 60000 milhões a cada emissão. Demasiado cara para o lucro obtido e muito perigosa para o médio prazo. Basta o BCE subir os juros para 0,5% (algo que os números da economia europeia dizem que devia ter acontecido em Março de 2016… neste momento os números dizem que a economia Europeia já suportava taxas de 1 a 1,5% sem qualquer problema). Isto se se acreditar nos números.

    • Danysan

      Pelo menos ficava arrumada a questão da “renegociação” da dívida…
      Era daqui a 3 meses!

  • Pirocas and so on

    A culpa é do centeno.

    • diogo

      Isto é o verdadeiro problemas para o passos e a cristas!
      Como não o podem vencer no terreno, querem ver se o conseguem na “secretaria” ou seja no Parlamento. com um assunto que revela as suas mediocridade, até, e no mínimo, pelos enormes gelados de vidro que têm…

      • It’s coming…

        Primeiro, seria bom que percebes um pouco de macro-economia para estares firme do que dizes. Leste a noticia, mas não te preocupaste em entender a fundamentação, e em especial, porque é que os de curto prazo (3 meses) sobem e descem em bloco com o resto da Europa, enquanto que os de médio e longo prazo dispararam para muito além dos nossos parceiros europeus. Tudo tem a sua razão. Se não sabes o porquê, escusas dizer coisas banais.

        • pasteldenata

          A diferença é que a longo prazo, somos alvos fáceis. A Europa está dependente de uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo de Itália. Se a decisão foi a mais esperada, o Deutsche Bank precisa de 100000 milhões emprestados com urgência e que só o governo alemão pode fazer. Se isso acontecer, já se sabe que quem paga essa factura é Portugal, Espanha, Itália e Irlanda.
          Assim que essa decisão surgir, é bem provável que Portugal vá para os 6%, a Espanha para os 4,5% e a Itália fique trancada de receber dinheiro do BCE. Sendo que a Grécia vai acabar expulsa do Euro. E tudo porque um banco alemão tem 340000 milhões escondidos em produtos financeiros em vez de estarem nos passivos da banca alemã e italiana e o BCE poder usar essa decisão para exigir a toda a banca que revele quanto tem escondidos nesses produtos (segundo uma pequena consultora francesa, o valor será, no mínimo, 6000000 milhões de euros).

          • It’s coming…

            O foco deve ser que, apesar de toda a turbulência nos mercados europeus e mundiais, e na situação frágile em que se encontra as finanças do Estado e a economia portuguesa, os governos portugueses não actuam com a devida precaução. Querem fazer de conta que Portugal existe dentro de uma vácuo, ou no abstracto, sem que possa ser adversamente afectado pelo que se passa no mundo fora das nossas fronteiras. Isto apesar de se saber que num mundo globalizado e digital, em que se sabe o que acontece em todo lado a cada segundo, e com informação a passar pelo mundo livremente e instantaneamente. Queremos muito, e precisamos de, tirar proveito dos benefícios de pertencer a uma união de países de comércio livre regional e global, mas não queremos entender que haverá também riscos – para todos os países – neste novo século associados à globalização. Ou seja, queremos os proveitos e os benefícios, mas achamos que não temos que nos preparar para os deveres, os perigos, e a precaução também. É de uma ingenuidade inqualificável. Nunca vai deixar de haver males ou perigos, em nenhuma circunstancia, e não nos podemos dar ao luxo de os ignorar. O mundo continua a girar e os ventos de mudança a soprar e não podemos achar que vamos conseguir pará-los, ou moldá-los conforme as nossas necessidades domésticas. Quem não entende isto neste novo milénio está perdido. O mundo mudou e ponto final. Oxalá que o povo não seja tão ingénuo e ignorante, e oxalá que deixem de acreditar em canções de facilidade e de infantilidades.

        • diogo

          1- não nos conhecemos (felizmente para mim) de lado nenhum para me tratar por “tu”
          2- se você percebesse algo de alguma coisa, sabia que a sua pseudo justificação é eivada de erro e absolutamente tendenciosa – basta para tanto comparar outras situações em que o tal “bloco” não funcionou para Portugal.
          3- faça-me um favor: não me chateie com tretas!

          • It’s coming…

            Tens razão, é melhor deixar-te a falares sozinho para uma parede…

  • Antonio Policarpo

    é não é que está o diabo ai outra vez…

    • Oriolus

      O diabo nunca esteve nas taxas de curto prazo. Empréstimos de curto prazo são para meninos. O diabo são as taxas de longo prazo (a 10 anos).

      • Antonio Policarpo

        afinal sempre há diabo… ufa! estava a ver que o dito tinha de arrumar a malinha de cartão e ir procurar subsídios prá tecnoforma!

  • Paulo

    Se com um governo de esquerda, que faz uma política de direita, temos estas taxas. Com um governo de direita a fazer a mesma política, o problema da dívida pública estaria resolvido em 5 anos.

    • pasteldenata

      Nem isso. Segundo o programa (que nem 25% foi apresentado) o CDS-PSD prometiam ter a dívida em 20% do PIB em 2023. E que em 2026 Portugal iria começar a poder reduzir os impostos para em 2030 serem inferiores a 5% do valor que eram em 2025 e ainda existiria lucro para o governo. Faltou foi revelar que essas manobras incluiam uma taxa de IRC em 3,5% para empresas financeiras, uma redução brutal nas áreas examinadas pelo governo e pelo Banco de Portugal, algo que a Europa tem andado a eliminar e punir nos países que fazem isso.

    • LUSITANO

      Viu.se o que foi a Direitralha no Poder. Conseguiram aumentar a divida Pública em 28%. E não foi por falta de receitas. Pois nos 4 anos que la estiveram fartaram-se de roubar os portugueses. Foram os subsídios de Férias e de Natal, foram os cortes nos salários, nas pensões e ate nos subsidíos de desemprego e de doença. Uma verdadeira VERGONHA!!!

      • Rael

        ó parasita, cala-te!!!

        • LUSITANO

          Parasita??? Mas com quem pensas estar a falar? Com o teu pai??? Cala-te tu que só abres a matraca para dizeres asneiras.

      • Paulo

        Esta política de esquerda também não tem nada. Roubar os privados para dar ao público e não é ser de esquerda.

        • LUSITANO

          A roubar aos privados??? Náo me faça rir. Entáo os privados andam a viver à conta do Público e do que é que ainda se queixam???Basta só ver os milhóes que ja foram gastos pelo Estado em programas de criação de emprego que mais não dão se náo estágios mal pagos e que assim que terminam, atiram os estagiários para o desemprego.

          • Paulo

            Há por esse lado uma enorme deturpação de raciocínio. concordo que devessem ser extintos quaisquer apoios públicos à criação de emprego que nada mais são que medidas de estímulo à precariedade.

          • LUSITANO

            M eu caro amigo, deturpação em quê? Infelizmente, náo temos, em Portugal, empresários mas patrõezinhos. Iniciativa privada, é uma miragem. os patróezecos vivem à custa da mama do Estado. Uma verdadeira vergonha.

          • Paulo

            Também concordo quanto aos empresários. Afinal as boas empresas que temos por cá são multinacionais que não deslocalizaram a sua produção de Portugal para outras paragens aquando da entrada no euro. Só espero que este governo não volte ao discurso anti capital e em vez de dar dinheiro ao empresários, patraozecos através de apoios à contratação, deveria apoiar verdadeiramente a captação de investimento industrial estrangeiro.

  • Mário M

    Uma atrasada mental do governo que diz que taxas de juro acima de 4% não tem problemas diz tudo sobre quem nos está a governar.
    e ainda votam nisto …

    • Paulo Sequeira

      Será que está a referir-se á presidente do IGCP? Pois ela não me parece nada atrasada mental e foi nomeada em 2014 pelo então governo de PPC que já não está a governar.

  • Pesquisem por: “Manual Católico, formação, confirmação e convite a verdadeira conversão.” Eu lhes convido a se converterem a verdadeira fé Católica para salvar suas almas. Renunciem ao pecado, as depravações, degradações, as heresias e iniquidades. E o Manual Católico lhes ajuda gratuitamente. Tenham grande devoção aos Sagrados Corações de Jesus e Maria.

    • zaratrusta

      Vade Retro Satanásssssssssssssssssssssssssssssssssss

    • Oriolus

      Isso dá guito?

  • O emigrante

    Quando o BCE deixar de comprar dívida do cantinho da Europa ou a Fed aumentar os juros como pretende o Sr Presidente para financiar um programa de reconstrução da sua nação. Quero ver se os juros a 4.0% são “históricamente normais” e “aceitáveis”!

    À almas que não têm capacidade para se orientarem. Eu gostava de saber onde é que a Presidente dessa Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública tirou o PhD? E ainda fala em crescimento sustentável? Com juros a 4%?

    O nosso vizinho financia-se 1.65%:

    https://www.investing.com/rates-bonds/spain-10-year-bond-yield

    Eu acho que o novo aeroporto da margem sul deve ter o nome “General Sertório”.

    • pasteldenata

      A Espanha financia-se porque 90% da dívida que emite é sindicalizada pela banca espanhola. É uma forma que arranjaram para financiar a banca.

      • O emigrante

        No cantinho da Europa não podem fazer isso porque a banca está falida.

        Não é por acaso a notação da Fitch à banca!

        Vão colocando dinheiro de lado, mas no estrangeiro. Eu já faço isso! Está para breve a decisão desse banco do motor da Europa, Se o governo for obrigado a injectar dinheiro… os juros vão ser como os rockets. Aí quero ver… O responsável pela crise é sempre o diabo que vem de fora, SEMPRE!

        Dinheiro para imprevisibilidades? Dívida! Sim, os cofres estão cheios de dinheiro! O que eu lamento é que seja dívida, parece que a almofada financeira aumentou 9.6mM€.

  • Vítor Mendes

    Permitam os portugueses comprarem divida publica!!!

    • Oriolus

      E permitem (certificados de aforro por exemplo). Pagam é uns juros da treta.

      • Vítor Mendes

        os do tesouro poupança mais de 2014 é que sao bons :P

        • Oriolus

          Sem dúvida, também tenho disso.

  • zaratrusta

    Más noticias, muito más noticias ó coelho! isto é o diabo, o diabo!

    • Oriolus

      O meu amigo sabe a diferença entre taxas de curto prazo e taxas de longo prazo?

  • Born in 1960

    Mas não era só com um governo de direita que os juros seriam negativos? Os mercados andam baralhados ou não sabem da vinda do Diabo.

    • Oriolus

      Não, o meu amigo é que deve andar baralhado e se calhar não reparou que este leilão foi de curto prazo (onde as taxas são tipicamente perto de zero negativas). O problema sempre foram as taxas de longo prazo (10 anos).

      • Born in 1960

        A querer baralhar andam os apoiantes do governo anterior. Pois andam maldispostos com os numeros da economia portuguesa relativos a 2016. Qaundo virá o Diabo?

  • Oriolus

    Só depois de o meu amigo ter percebido a diferença entre as taxas de curto e as de longo prazo.

  • Por morrer uma andorinha.

    A Competência da Casalinho até brilha !

    É claro que para direitalha fascista estas notícias lhe causam uma azia aguda.

    Até espumam.